Suzana Marotta

 
 
  

 
 
 

TRANSITANDO ENTRE AS LINGUAGENS

 

Minha trajetória entre as linguagens começou através do desenho, tendo como tema as formas do corpo humano, que se iniciou com desenhos feitos em parafina ou lápis de cor branco sobre papel e o que revela os traços dessas formas são as aguadas com nanquim preto.

Nesse momento notei que os desenhos possuíam uma identidade própria. Seus traços são contínuos, seu volume pode percebido pelo jogo de luz e sombra através da materialidade dos elementos que o compõem.

A partir dos desenhos, as gravuras começaram a surgir, primeiramente como um estudo, já que as técnicas ainda eram desconhecidas por mim. A medida que ia me familiarizando com as novas descobertas,  as linhas traçadas na calcogravura e na litogravura, que foram as técnicas escolhidas por possuírem os processos de feitura mais interessantes, se tornavam cada vez mais livres.

Nas primeiras calcogravuras a ponta seca foi utilizada apenas para demarcar o desenho, em seguida as áreas que não seriam atacadas pelo mordente (ácido nítrico) foram protegidas com saliva, e assim sucessivamente até chegar ao resultado desejado e todas foram impressas na cor negra.  Alguns resultados têm uma semelhança muito grande com os desenhos feitos em parafina.

Nas litogravuras, o desenho foi feito com bastão litográfico e impressos na cor marrom escuro, pois com a cor preta, talvez tivessem ficado muito carregados, pesados.  Os resultados eram cada vez mais gratificantes e, o que no início era um estudo, passou a fazer parte de uma trajetória. Com isso, meu interesse pelas formas humanas e as linguagens em que elas poderiam ser trabalhadas se expandiam. 

Decidi então, tridimencionalizar essas formas através de pequenas esculturas confeccionadas em cerâmica, que se apresentam deitadas, possuem cores que dão expressão às formas do corpo, às curvas e até mesmo ao rosto, a utilização de sulfatos é responsável pelo aspecto de ferrugem. A cerâmica foi o material escolhido por sua natureza ser parecida com a natureza humana, instável em certas situações: muito forte se for bem estruturada ou muito frágil se não tiver uma boa estrutura. Tem também reações inesperadas, e quando aprendemos a conhecê-la melhor, respeitamos mais seus limites.

         Por esses motivos, as esculturas se apresentam tanto no sexo masculino quanto no sexo feminino, porém, as gravuras se apresentam apenas no sexo masculino. Opta-se por não mostrar explicitamente o sexo em nenhuma das figuras de ambas as linguagens. Todas estão em posições que não transparecem uma sexualidade evidente, mostrando apenas a sensualidade das formas e das situações em que são colocadas. A individualidade presente nas figuras está intimamente relacionada com a busca da sociedade moderna por uma personalidade individual, por seu espaço, por seu lugar, por um ponto de referência que seja distinto para cada pessoa.      

            Juntamente com as esculturas foi desenvolvido um estudo em pintura, que teve objetivo de organizar todo o trabalho feito até então. Nos primeiros estudos, as pinturas trazem as sombras das esculturas projetadas na tela.

Dando continuidade os estudos, as pinturas irão resgatar uma série de fotografias, feitas em 1999, que são em preto e branco e compostas por sombras do corpo humano e detalhes de suas partes.  Em seguida, a utilização das sombras projetados na tela é novamente retomada, porém, já não são mais utilizadas as sombras das esculturas. A forma é dada através das sombras de pessoas. Pode-se perceber claramente a semelhança entre essas pinturas e as pinturas iniciais. O fundo também é preto, os chassis não foram colocados e as formas são coloridas, mas, não estão tão soltas como nas primeiras. Percebe-se uma certa semelhança com fotografias, como as que tiramos em casa da família ou dos amigos, nesse caso, as cores são uma maneira de distinguir as "pessoas" que compõem a pintura, assim como a roupa distingue uns aos outros nas fotografias por exemplo.

Após os estudos em pintura, retorno novamente a fotografia, utilizando-a como meio para dar continuidade ao trabalho das sombras e das partes do corpo. Em uma primeira séria, as sombras das esculturas que foram projetadas na tela são, agora, projetadas na parede. A semelhança entre elas é notável a primeira vista. 

A sombra tem uma relação com o intervalo, ela é o registro de algo que vai surgir ou já passou. Também tem o conceito da ausência, de algo que não está lá. Assim como a fotografia, que retrata um momento que não existe mais, aprisionando-o através da imagem contida na foto.

Numa próxima série, as fotografias trazem as partes do corpo e as sombras projetadas por ele, num primeiro momento, os pés foram a parte escolhida. Com essas fotografias, decidi utilizar meus recursos fotográficos e minha curiosidade pelas diferentes linguagens para desenvolver um trabalho através da fotolitogravura. Com esse processo, trabalho as imagens fotográficas sobre a pedra litográfica.

A imagem é xerografada e transportada para pedra com tinner. Após esse procedimento, pode-se trabalhar ou não sobre a imagem. Foi tirada uma prova de impressão para que fosse visto como era realmente a imagem que estava gravada na pedra. Optei por não fazer nenhuma interferência, já que, apenas com o xerox, obtive o resultado que pretendia.

A partir daí, novas provas de impressão foram feitas para ajuste da intensidade da cor. Em média, vinte e seis impressões foram feitas, a maioria na cor preta, porém, foi tirada uma prova em marrom e uma em azul com preto em degradê para saber como ficariam as gravura em cores diferentes.

 

 


 
 
 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

CURRÍCULO

 

Formação Acadêmica:

  • Graduada em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina, concluído em 2000 (São Paulo, SP).

 

Experiências Profissionais:

  • Monitoria da exposição “Paper Democracy”, de 01 de outubro a 22 de dezembro de 2004, Centro Brasileiro Britânico, São Paulo.
  • Assistente da artista plástica Maria Bonomi na confecção do cenário da peça de teatro “Tarsila”, escrita por Maria Adelaide Amaral e dirigida por Sérgio Ferrara, de 04 a 14 de março de 2003 (São Paulo, SP).
  • Participação da Comissão julgadora da Mostra de Artes da Escola de Especialistas de Aeronáutica, 16 de outubro de 2001 (Guaratinguetá, SP).
  • Orientadora do curso de pintura da Escola de Especialistas da Aeronáutica de Guaratinguetá, julho a dezembro de 2001 (Guaratinguetá, SP). 
  • Monitoria da exposição "Arco das Rosas - O Marchand Como Curador", 22 de março a 20 de maio de 2001, Casa das Rosas (São Paulo, SP).
  • Monitoria da exposição "Projeto de Graduação - Artes Plásticas - Universidade de São Paulo", 05 de fevereiro a 06 de março de 2001, Casa das Rosas (São Paulo, SP).
  • Realização da montagem da instalação “Nioaque: Divortium Umbrarum” da artista Shirley Paes Leme e do video-maker  Walter Silveira, 15 a 21 de agosto de 2000, na exposição Rosas Rosa – Emblemas e Movimento, Casa das Rosas (São Paulo, SP).
  • Realização da montagem da exposição de comemoração dos cinco anos do Jornal de Resenhas da Folha de São Paulo, maio de 2000, Faculdade Santa Marcelina (São Paulo, SP).
  • Realização montagem da Produção “FASM-99”, 15 de fevereiro de 2000, Faculdade Santa Marcelina (São Paulo, SP).
  • Monitora estagiaria da artista Maria Bonomi na 2ª Bienal Barro de America, 10 a 15 de setembro de 1998, Memorial da América Latina (São Paulo, SP).
  • Realização da montagem da 2ª Bienal Barro de America, 08 a 10 de setembro de 1998, Memorial da América Latina (São Paulo, SP).

 

Exposições Coletivas:

  • Salão de Arte Contemporânea 2004 “Fundação Cultural Cassiano Ricardo”, 09 a 30 de novembro de 2004 (São José dos Campos, SP).
  • 36º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, 16 de outubro a 28 de novembro de 2004 (Piracicaba, SP).
  • VISÕES / SENTIDOS, de 31 de março a 16 de abril de 2004, galeria de arte da Unicamp, Capinas, SP.
  • Museu Histórico e Pedagógico Conselheiro Rodrigues Alves, de 10 a 24 de dezembro de 2003.
  • VIII Circuito Internacional de Arte Brasileira, 12 a 18 de maio de 2003 em Londres - Reino Unido, de 20 a 26 de maio em Madri – Espanha, de 28 de maio a 03 de junho de 2003 em Lisboa – Portugal e de 05 a 10 de junho de 2003 em Viena – Áustria, encerramento dia 21 de junho no Museu de Arte da Pampulha em Belo Horizonte – MG.
  • Clique Seu Mundo: concurso de fotografia, 1O lugar na categoria P&B, 17 de maio a 15 de junho de 2002 (Salvador, Bahia).
  • Mapa Cultural Paulista (fase municipal e regional), de agosto a novembro de 2001 (Guaratinguetá e Cruzeiro, SP).
  • 4 Elementos, 24 de outubro à 2 dezembro de 2000.
  • 32º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, 20 de outubro a 26 de novembro de 2000 (Piracicaba, SP).
  • Grupo dos Treze, 07 de outubro a 05 de novembro de 2000 (São Paulo, SP).
  • Produção “FASM-99”, fevereiro a março de 2000 (São Paulo, SP).
  • Produção “FASM-97”, fevereiro a março de 1998 (São Paulo, SP).

 

Exposições Individuais:

  • Suzana Mollica Marotta, de 17 de maio a 06 de junho de 2003, Museu Histórico Pedagógico Conselheiro Rodrigues Alves, Guaratinguetá, SP.

 

 


  

.Suzana Marotta

 

http://www.grupogravura.org/artistas/suzana_marotta.htm


 
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