por Oscar D'Ambrosio


 

 


Zeca Menezello

 

Universo de interrogações

 

A grande arma de um artista é a sua criatividade. Por meio da forma como ele lida com os materiais, torna-se possível observar o seu talento, ou seja, a sua capacidade de revelar originalidade ao transformar as suas idéias em obras plásticas. Esse processo, dinâmico por excelência, aponta os rumos que devem ser seguidos por cada criador.

Autor de poemas, contos e crônicas, veiculados pelo Jornal Dia e Noite, Zeca Menezello retomou, em 1999, uma carreira de arte plástica iniciada há algum tempo em Santos, SP. Seus trabalhos têm como principal característica a harmonia das cores.

Sem necessitar de referenciais concretos, o artista obtém formas que muitas vezes recordam imagens análogas aos momentos mais alegres de Joan Miró, em telas como Carnaval de arlequim. Seu resultado estético se baseia, em boa parte, no trabalho com tons de azul e amarelo, que dialogam rumo a composições de grande leveza plástica.

Nascido em São José do Rio Preto, SP, em 1963, Menezello vem realizando, desde 1999, numerosas exposições, principalmente em sua cidade natal, mas também em Mirassol, SP, e São Paulo, SP. Nessas mostras, apresenta diversos formatos e composições, mas a maioria tem em comum a busca constante do equilíbrio.

As imagens criadas por Menezello permitem diversas leituras. Surgem como portas à espera de uma chave que as interprete. Ao trabalhar com linhas horizontais, círculos, quadriláteros ou outras formas geométricas, prevalece o equilíbrio pictórico. Isso significa um domínio técnico sobre as cores, principalmente os azuis.

            É justamente nos elos de tons estabelecidos entre o azul e o amarelo que a arte de Menezello ganha relevância. Um círculo amarelo, cercado por uma margem branca num campo azul alude ao sol, mas também a busca constante do ser humano por um espaço em um mundo muitas vezes resistente à arte.

            Em contrapartida, trabalhos em que o azul predomina em vários tons e formas apresentam intensa poeticidade, não apenas pelas variações dentro de um universo em azul, mas principalmente pela preocupação do artista em tornar cada obra uma unidade autônoma, que não necessita de outras do autor para se completar.

            O valor intrínseco de cada trabalho se torna assim evidente. O diálogo entre as cores às vezes é acrescido por sutis presenças de vermelho. Estabelece-se assim um universo mágico, ao qual apenas se pode entrar com a chave certa. A busca desse passaporte pode ser mais ou menos célere. Tudo depende da maneira do espectador contemplar o objeto artístico.

            Quem busca desafios tem no trabalho de Menezello um mundo de interrogações a desvendar. Afinal, a arte é justamente o desafio de enfrentar o novo. Cada trabalho do artista riopretense, é, desse modo, um rico patamar de imagens que não necessita de referências externas, mas se auto-abastece pela capacidade de tornar cada obra um ponto de harmonia estética pronto a suscitar as mais diversas interpretações.           

           

Oscar D’Ambrosio é jornalista, integrante da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).

 

 

 

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"Maresias"

Téc mista -  100 X
120 cm - 2000  

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