por Oscar D'Ambrosio


 

 


 
Yara Tupynambá

           

            Ícones universais

 

            Além de ser o mais montanhoso dos Estados brasileiros, com serras e planaltos com altitude média de 800 m, Minas Gerais é berço e lar de adoção de alguns dos mais importantes artistas brasileiros. Talvez o fato de estar entre colinas  longe do mar motive os nascidos na região a cultivarem a introspecção, seja na pintura, na literatura ou na música.

            O fato é que a força pictórica mineira, que tem em Aleijadinho o seu maior mestre, além de representantes posteriores como Guignard, encontra prosseguimento até hoje. Cada um segue o seu caminho, mas geralmente com um curioso e significativo amor pela verticalidade.

            Nascida em Ontes Claros, Yara Tupynambá dá prosseguimento a essa tradição à sua maneira. Capaz de colocar sol e lua numa mesma imagem, dá aos casarios de seu Estado uma nova dimensão. Em tons de vermelho, de azul ou de amarelo que utiliza com intensidades variadas cria o seu próprio universo.

            O observador de suas telas não está mais em Minas Gerais, mas em cidades universais que podem evocar os municípios históricos mineiros, mas, acima de tudo, encantam pela sua qualidade intrínseca de objeto estético, sempre pronto a desafiar e a interrogar, pois cada imagem guarda no mínimo um segredo de composição bem articulado.

            Três principais temáticas se intercruzam as criações de Yara: a dos casarios, a das festas populares e a das flores. As suas telas mais indagadoras são justamente aquelas que conseguem compor esses três elementos de modo que eles estabelecem um diálogo de cores e formas.

            Os amarelos e lilás de flores são encontrados nas imagens das cidades em combinações harmônicas às vezes acrescidas por portas abertas que evocam tanto a arquitetura e a arte barroca como os pequenos oratórios que ainda podem ser encontrados no Estado de Minas.

            Às vezes o ambiente dessas fantásticas paisagens mineiras é enriquecido por mastros e bandeirinhas, imagens vinculadas às festividades juninas. Cidades, bandeirolas e arabescos barrocos nos introduzem num mundo algumas vezes enigmático, em que as construções constituem ricos jogos arquitetônicos.

            Os casarios delineados geralmente em planos horizontais ganham verticalidade pela sobreposição de imagens e pela presença de algumas torres e pináculos. O conjunto apresenta-se assim uniforme em sua poeticidade, ainda mais quando ocorre o uso de cores quentes, em que o céu parece se iluminar com fogos de artifício.

            Mineira, mas universal; criadora de casarios, mas também de fundos líricos; mestre no trabalho com flores e oratórios, mas sabedora dos desafios de compor harmonicamente linhas horizontais e verticais; a artista plástica Yara Tupynambá ultrapassa as fronteiras dos ícones do Estado de Minas Gerais, merecendo ser vista como uma pintora de imagens fantásticas e plenas de símbolos que povoam os sentidos dos admiradores da arte que cativa os sentidos e a alma do observador.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, é Mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

 

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Balão e arabesco barroco
acrílica sobre tela
90 x 70 cm - 2002

Yara Tupyinambá

 

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