por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Washington Arléo

 

            A arte da multiplicidade

 

            Se há uma característica muito forte na arte contemporânea, ela se chama simultaneidade. É na riqueza da composição de imagens oriundas de diversas fontes que muitos artistas se alimentam para conseguir os efeitos plásticos que desejam, buscando sempre gerar uma reação no observador.

            No caso do artista baiano Washington Arléo, ele se vale do processo de justaposição de imagens para criar autênticas composições visuais em que o objetivo é estabelecer um universo de diálogos visuais que se valem tanto da fotografia como da colagem e da pintura.

            Mais importante que o processo, neste caso, talvez seja o resultado, pois o trabalho com os mais diversos ícones, como baianas, Che Guevara ou índios, exige a capacidade de saber até onde eles podem e devem ser respeitados enquanto imagens para serem, logo em seguida, carnavalizados num processo antropofágico.

            Arléo engole e digere o que encontra pela frente. Artista autodidata que é, não se abate perante o que parece impossível, pois está habituado justamente a trabalhar da maneira mais difícil e prazerosa, ou seja, aquela que demanda um contínuo processo de criatividade.

            Com obras vendidas na Alemanha, Holanda e Suíça, o artista, que também atua como escultor, cenógrafo e poeta, tem no poder da interferência a sua grande arma plástica. As imagens se diluem para gerar novos significados, fortalecendo o pensamento de que vivemos numa sociedade desgastada, que precisa ser renovada.

            Essa busca por novos caminhos se dá, na poética de Arléo, tanto por meio de figuras como de palavras. Vocábulos entram como ícones e também como indicadores de que algo precisa ser feito para que a sociedade não se repita e busque novos paradigmas de ação e de autoconhecimento.

            Artista da multiplicidade, da impermanência e do movimento contínuo, Washington Arléo revela, em sua obra, uma inquietação constante. Sua forma de trabalhar com o imaginário coletivo, revela um parentesco com a arte pop, mas, acima de tudo, com a constante procura de parâmetros próprios, que critiquem a sociedade contemporânea e mostrem o quanto ela precisa de uma autêntica reformulação, em que a arte possa desempenhar, como ocorre no caso do criador baiano,  um papel crítico, ativo e participante.

           

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

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 Time
1,75 x 1,45 cm técnica mista com transferência de imagens por sensibilizadores fotográficos e tinta acrílica sem data

 Washington Arléo

 

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