por Oscar D'Ambrosio


 

 


Waldeci de Deus

 

            A idealização romântica

 

            O escritor francês Anatole France, em O jardim de Epicuro, disse que “o artista deve gostar da vida e mostrar-nos que ela é bonita. Não fosse ele, duvidaríamos disso”. A pintora primitivista Waldeci de Deus faz exatamente isso ao criar telas e painéis que exaltam a vida.

Seja em suas cenas urbanas, de folclore ou de moradias pobres da periferia de São Paulo, a artista sempre mostra a beleza, seja pelas cores vivas ou pela forma como articula diversas cenas, em composições plenas de romantismo e idealizações nas quais as pessoas e o meio ambiente interagem num estado de equilíbrio.

Nas telas de Waldeci, os seres humanos dão movimento às cenas e, simultaneamente, os locais mostrados tornam as ações retratadas mais significativas. Um exemplo curioso é o de homens enfeitando com bandeirinhas os prédios da esquina das avenidas Augusta e Paulista. O cimento de São Paulo ganha assim humanidade.

Esses prédios que hoje Waldeci pinta com desenvoltura estão bem longe de sua infância. Nascida em 10 de março de 1952, em Boa Nova, BA, ela passou seus primeiros anos pescando, andando a cavalo e fazendo armadilhas para caçar passarinhos. Em 1967, veio para a maior cidade da América Latina em busca de um futuro promissor.

            Foi também em São Paulo que Waldeci começou a pintar. Suas primeiras telas tratavam de morte, com velórios e caixões, fato que ela atribui a ser uma criança muito pensativa que tinha muitos pesadelos. Estimulada, porém, pela boa receptividade de seus primeiros trabalhos, prosseguiu na carreira, pintando também casamentos e cenas de folclore, como lobisomens e mulas-sem-cabeça.

            Progressivamente, o trabalho inicial de cunho mais realista foi cedendo espaço a cenas do cotidiano cada vez mais idealizadas. O óleo também cedeu o lugar à tinta acrílica e o tom sombrio, pouco a pouco, abandonou as telas em função de telas coloridas e , mais recentemente, de flores.

Com mais de 30 anos de carreira e mais de 600 quadros pintados, Waldeci já teve obras expostas na Alemanha, Suíça, França, Itália e EUA. A artista trabalha bem as tonalidades azuis e verdes, presentes em céus com riqueza de imagens e áreas bem povoadas. Nesse encontro entre céu e terra, brotam numerosas imagens de conjuntos, que incluem de românticas noivas a escuros caminhões; e de pessoas diminutas e morros a figuras mais destacadas, como uma mulher grávida ou  passeando com um cachorro.

            A vida, nas telas de Waldeci de Deus, é mostrada numa plenitude romântica. A metrópole fica bonita, a internet torna as pessoas mais felizes e a miséria cede espaço ao congraçamento entre as pessoas. Há em suas telas alegria de viver, fé no futuro e gosto pelo próprio trabalho. Para ela, pintar é um ato de amor à vida e de confiança no futuro. Ao ver as cenas reais do cotidiano, ela se inspira para criar, com suas paisagens e flores, um mundo todo particular, idealizado e feliz, fruto de seu engenho colorido e do talento de sua arte.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil). É responsável pela página http://www.artcanal.com.br/oscardambrosio/

 

 

 

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