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Renan Cruz Visita ao ateliê Ser um artista plástico significa muito mais que o desenvolvimento de uma habilidade com técnicas de desenho, pintura, escultura, fotografia, vídeo ou instalação. Está intrinsecamente ligado a um pensamento daquilo que se faz como uma manifestação visual de um conceito de estar e pensar o mundo. Sua obra apresenta várias vertentes e passa por um progressivo amadurecimento, que inclui, por exemplo, a busca de melhores papéis para realizar o seu trabalho, caracterizado por grande espontaneidade e por uma velocidade oriunda em grande parte de sua experiência como artista de rua. Na sua produção, que se dá em diversos suportes, merece especial destaque o universo das manchas, no qual começa a se aprofundar. Há uma progressiva fascinação pela conversa entre aquilo que é fruto do acaso e o que pode ser controlado. Estabelece-se assim um diálogo em que a figuração cede lugar à exploração do espaço. Há também um núcleo de muita força de cenas urbanas de mendigos e figuras bizarras da metrópole paulistana. O estudo dessa linha de pesquisa visual pode levar a resultados muito expressivos, com a gradual imersão no fantástico que o lidar com a mancha propicia. A responsabilidade e a seriedade na forma de construção da carreira, além de um talento natural, aprimorado pela pesquisa visual constante e por freqüentar aulas de desenho com o artista plástico Rubens Matuck, possibilita a este criador nascido em Mogi das Cruzes, mas cidadão do mundo desde a primeira hora, um resultado cada vez mais expressivo e com uma marca pessoal que pode lhe assegurar um espaço na arte contemporânea, não apenas como mais um navegante, mas como um marinheiro capaz de chegar a portos seguros sem perder a espontaneidade e a qualidade do trabalho.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista e mestre
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