por Oscar D'Ambrosio


 

 


Jack Ronc

 

            Visão sem vícios

 

            Homem ligado à publicidade e à criação, Jack Ronc apresenta em sua trajetória plástica o grande desafio de conjugar a sua multiplicidade em elementos que fortaleçam um conjunto plástico que dê unidade ao seu trabalho. Não se trata de um mero rótulo ou slogan, mas de algo que cristalize as obras para efeito de uma carreira.

            Um fator bem significativo nas telas de Ronc é a forma como utiliza a cor. Sabe como articular a relação entre elas, geralmente com o uso de cores quentes que saltam aos olhos e logo vêm ao primeiro plano para expressar uma imagem ou uma idéia.

            O conceito de movimento também se faz muito presente, nesse sentido, há momentos em que abusa dos respingados e das linhas espalhadas pelo quadro justamente para atingir o efeito desejado, numa linguagem que pode ser mais trabalhada à medida que o artista impor a si mesmo desafios cada vez maiores.

            Nas pinturas que fez com base no próprio pai, por exemplo, Ronc, nascido em Vargem Grande do Sul, interior de São Paulo, é possível observar um refinamento maior em boa parte das obras. Não se trata apenas do uso de outros materiais, além da tinta acrílica, como o pastel, mas por um nítido envolvimento afetivo com o tema.

            Ao fazer uso do tema da criança, por exemplo, o artista consegue belos efeitos, entrando na atmosfera lúdica que o assunto pede, inclusive com maior experimentação em direção a um diálogo entre o bi e o tridimensional. O brincar e o fazer arte caminham então em paralelo com equilíbrio.

            Quando o fundo aparece chapado de uma cor, como o branco, e o artista constrói sobre ele garatujas em pretoou mesmo coloridas –, o desenho vem à tona e a pesquisa ganha densidade. Aquilo que se pinta torna-se menos importante do que a imagem propriamente dita e os recursos plásticos utilizados para obter o que se almeja.

            Jack Ronc tem nas mãos o conhecimento e a técnica do fazer. Sua busca é a de um mote central que a sua linguagem uma espinha dorsal. Um passo seguro para isso é se deixar levar pela rapidez do desenho e da pintura, pelo poder do traço do gesto e pelo encantamento que as imagens lhe causam à primeira vista.

            Boa parte do segredo de seu processo criativo pode estar justamente em se permitir ser autêntico a cada instante, observando cada objeto como se fosse pela primeira vez e dando a cada um deles a sua interpretação visual. Tal desafio gera uma exposição agradável de ser vista e que pode ser sentida com o frescor infantil de quem descobre o mundo antes de se deixar contaminar pelos seus vícios.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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