por Oscar D'Ambrosio


 

 


Velf Weingrill

 

A luz das cores

 

“Disse Deus: ‘Haja luz’; e houve luz”. Estas palavras do Gênese, 1,3 podem perfeitamente funcionar como pórtico para mergulhar nas telas de Velf Weingrill, cuja principal característica é justamente o domínio da luz, seja em plantações de flores ou em naturezas-mortas.

Nascida em 17 de janeiro de 1948, em São Paulo, SP, a artista, cujo nome completo é Vera Lucia Ferrari Weingrill demonstra, em suas telas, ser uma grande admiradora da natureza. Também conta que, desde criança, gostava de aprender artesanato, chegando, finalmente, à pintura. Após passar sete anos trabalhando com porcelana e, depois com seda, chegou a vez do óleo, arte que venceu definitivamente uma outra atividade à qual ela dedicava parte do seu tempo: estudar piano.

Flores, paisagens. Naturezas-mortas, mulheres e crianças são alguns dos temas tratados pelo pincel de Weingrill, que também já se dedicou a retratar, no seu estilo bem pessoal, bailarinas e palhaços. Na sua arte, porém, temática é secundária perante o trabalho aprimorado com as cores.

Numa carreira que inclui exposições em diversos países, como Bolívia, Chile, Peru, México, Mônaco, Portugal, Espanha, Itália e EUA, o grande destaque está na maneira delicada como a figura feminina vem à tona. É o caso de telas como Mulher e Nu. Na primeira, surge um rosto esvoaçante em meio a uma massa de cores quentes, principalmente amarelo e vermelho. Na segunda, um torso de perfil, com luvas e mãos na cabeça transmite, num gesto simples, em cores bem mais sóbrias, a complexa relação entre uma mulher e o seu cabelo.

As naturezas-mortas de Velf são também de grande apuro técnico e domínio da paleta. É o que ocorre principalmente em Maçã, fruta mostrada com todas as suas nuances de vermelho, um pouco de laranja e marcas pretas, num jogo cromático de intenso realismo, mas também de inegável expressividade.

Os campos de flores da artista são um universo à parte, sejam tulipas, hortências, girassóis ou margaridas. As gradações de cor atingidas com as primeiras oscilam entre diversos tons de amarelo e vermelho, partindo, na parte inferior da tela de um detalhismo fotográfico e beirando, na metade do quadro, uma espécie muito peculiar de abstracionismo lírico em que o referente concreto – flor – permanece em segundo plano perante a riqueza do resultado obtido por cores mágicas que se articulam em gradações poéticas.

No centro das plantações de girassóis e margaridas, é colocada, às vezes, uma menina. O vestido delicado e os cabelos que combinam com as flores oferecem um resultado de grande luminosidade, leveza e limpidez, quase diáfano, num convite à busca da beleza em cada instante de nossas vidas.

Conta-se que o escritor alemão Goethe (1749-1832), antes de morrer, teria dito “Mais luz”. Se ele conhecer os quadros de Velf Weingrill seu pedido certamente seria outro, pois as telas da pintora paulista encontram no cromatismo a melhor resposta para as indagações existenciais de todo ser humano. Suas flores e imagens femininas, seja pela luz, pela cor ou pelo lirismo, indicam que a beleza existe e que pode ser encontrada pela arte.

 

Oscar D’Ambrosio é jornalista, crítico de arte e autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora UNESP).   

 

 

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