por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Vânia Ferro

 

            Força expressiva

 

            As previsões otimistas que anunciavam um século XXI marcado pelo progresso social da humanidade estão sendo derrubadas pelas ações bélicas e pelas cenas de violência social que continuam a se espalhar pelo planeta, seja no longínquo Iraque ou na próxima cidade do Rio de Janeiro.

            Nesse universo, a arte parece ter novamente um espaço para expressar a sua indignação. Seja por meio da palavra ou das expressões visuais, seus trabalhos são, mesmo que eles assim não os concebam, momentos de rebeldia, seja nas cores, nas formas ou na forma de lidar com os mais variados suportes ou técnicas.

            Esses apontamentos surgem da contemplação do conjunto da obra da artista plástica goiana Vânia Ferro. Seu trabalho, que já passou pelo supranaturalismo, surrealismo e abstracionismo e, nos últimos anos, retoma o figurativo, apresenta como principal característica uma coerência pictórica discursiva.

            Há neles uma linguagem visual de elevada densidade, como a inscrição da palavra Paz, numa tela em que predominam os tons de cinza, ou uma estilizada imagem de Picasso, que alude à fase azul do gênio espanhol. A inserção de palavras nas telas também ganha relevância, pois elas se integram ao todo em fenômenos estéticos plenos, que cativam pelo resultado interrogador.

            Nascida em Paraúna, cidade turística localizada a 150 km de Goiânia, Vânia realizou a sua graduação em Artes Visuais, com especificação em Pintura no Instituto de Artes da Universidade Federal de Goiás, instituição onde obteve a sua licenciatura em Artes Plásticas e onde completou a sua especialização em Perspectiva Teórica Aplicada. Com esse conhecimento técnico, a artista ampliou as condições de experimentação, navegando, como o herói Ulisses em seu retorno à mítica Ítaca, por muitas e míticas paragens.

Se as obras mais vinculadas ao abstracionismo impressionam pelo uso das cores, principalmente por alguns diálogos entre o branco e o amarelo, em imagens que remontam ao mestre Manabu Mabe, a parte do seu trabalho voltada para as extremidades do corpo, como as mãos, consegue reunir vigor e certo geometrismo.

Com exposições individuais realizadas em diversos Estados, principalmente Goiás e São Paulo, a artista também levou a sua obra para os EUA, Bolívia, Portugal, Marrocos e França, obtendo repercussão positiva pela capacidade de unir a intensidade cromática com a força do traço.

Vânia Ferro mostra a sua versatilidade ao lidar com cores que surgem expressivas e vigorosas, revelando uma maneira muito especial de olhar o mundo. Em sua arte, predomina a liberdade de observar e de recriar. Por meio das tintas, a artista expressa aquilo que o ser humano tem de melhor, o potencial infinito de transformar inquietações existenciais em resultados estéticos de qualidade.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, pós-graduando no Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora UNESP e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).


  

 

 

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"Olho vivo" 

técnica 
mista 90 x 110 cm - sem data

 Vânia Ferro

 

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