por Oscar D'Ambrosio


 

 


Val Santos

 

Santos floridos

 

Executar as tarefas diárias numa busca permanente pela perfeição talvez seja o maior mérito dos santos. Foi assim, por exemplo, com São Francisco, em sua jornada existencial em defesa dos pobres e na sua constante integração à natureza, principalmente aos animais. Analogamente, a atividade artística é uma caminhada permanente pelo ideal do esteticamente belo.

Baiano de Brumado, mas radicado em Morungaba, SP, Val Santos tem a sua própria visão de santidade. Nascido em 2 de fevereiro de 1971, encontrou o seu melhor diálogo pictórico na criação de santos rodeados por auras e flores bem ao gosto barroco. As obras impressionam pelo acabamento esmerado.

Val Santos oferece em cada trabalho um sem-número de detalhes. A construção obedece a uma certa lógica formal, com a imagem retratada ao centro, cercada por uma aura e, depois por diversos elementos que valorizam a figura central. Eles não são meras decorações, mas buscam harmonizar-se com o santo ou anjo retratado, seja na combinação de formas ou de cores.

O mais significativo é que, ao ver as telas de Santos, surge um significativo desejo – e o trocadilho é inevitável – de saber mais sobre os santos retratados e, principalmente, sobre os fatos que levam uma pessoa a atingir tal estágio. Sem entrar na questão teológica, parece que o santo é justamente, como mostra Santos, aquele que dá a sua existência um valor permanente pela determinação de atingir um ideal.

Os santos de Santos têm justamente essa dimensão humana. Está evidente em seus rostos que são pessoas que se destacaram por qualidades especiais. Se boa parte da iconografia cristã apresenta, erroneamente, o santo como um ser divino que passa pela Terra, o artista baiano consegue sucesso em mostrar o contrário. Fica evidenciado nas imagens que cria que cada santo mostrado é um ser humano que consegue ascender pelos seus méritos especiais.

Val Santos, por sua vez, ascende em sua carreira artística justamente por suscitar questões de ordem artística e mesmo teológica. Seus santos aparentemente ingênuos são, enquanto imagens, plenos de barroquismo e gosto popular e, em termos conceituais,  alertam para o lado humano desses seres especiais, fiéis no dia-a-dia ao ato de fazer sempre o melhor possível pelos próprios ideais. Nesse sentido, Santos nos lembra que todo artista verdadeiro tem algo de santo em seu labor.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

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São Francisco

óleo sobre tela
40 x 50 cm - 2005

Val Santos

 

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