Val
Santos
Santos
floridos
Executar
as tarefas diárias numa busca permanente pela perfeição talvez
seja o maior mérito dos santos. Foi assim, por exemplo, com São
Francisco, em sua jornada existencial em defesa dos pobres e na
sua constante integração à natureza, principalmente aos
animais. Analogamente, a atividade artística é uma caminhada
permanente pelo ideal do esteticamente belo.
Baiano
de Brumado, mas radicado em Morungaba, SP, Val Santos tem a sua própria
visão de santidade. Nascido em 2 de fevereiro de 1971, encontrou
o seu melhor diálogo pictórico na criação de santos rodeados
por auras e flores bem ao gosto barroco. As obras impressionam
pelo acabamento esmerado.
Val
Santos oferece em cada trabalho um sem-número de detalhes. A
construção obedece a uma certa lógica formal, com a imagem
retratada ao centro, cercada por uma aura e, depois por diversos
elementos que valorizam a figura central. Eles não são meras
decorações, mas buscam harmonizar-se com o santo ou anjo
retratado, seja na combinação de formas ou de cores.
O
mais significativo é que, ao ver as telas de Santos, surge um
significativo desejo – e o trocadilho é inevitável – de
saber mais sobre os santos retratados e, principalmente, sobre os
fatos que levam uma pessoa a atingir tal estágio. Sem entrar na
questão teológica, parece que o santo é justamente, como mostra
Santos, aquele que dá a sua existência um valor permanente pela
determinação de atingir um ideal.
Os
santos de Santos têm justamente essa dimensão humana. Está
evidente em seus rostos que são pessoas que se destacaram por
qualidades especiais. Se boa parte da iconografia cristã
apresenta, erroneamente, o santo como um ser divino que passa pela
Terra, o artista baiano consegue sucesso em mostrar o contrário.
Fica evidenciado nas imagens que cria que cada santo mostrado é
um ser humano que consegue ascender pelos seus méritos especiais.
Val
Santos, por sua vez, ascende em sua carreira artística justamente
por suscitar questões de ordem artística e mesmo teológica.
Seus santos aparentemente ingênuos são, enquanto imagens, plenos
de barroquismo e gosto popular e, em termos conceituais,
alertam para o lado humano desses seres especiais, fiéis
no dia-a-dia ao ato de fazer sempre o melhor possível pelos próprios
ideais. Nesse sentido, Santos nos lembra que todo artista
verdadeiro tem algo de santo em seu labor.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes
da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de
Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando
a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de
Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora
Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).