Valdo
Kerpen
Pensamento em mármore
Inicialmente autodidata no
ato de lidar com a difícil técnica da escultura em mármore, Valdo
Kerpen aperfeiçoou seu estilo com viagens à Itália e a outros países
europeus, buscando sempre encontrar recursos que lhe permitam criar
uma obra diferenciada, com uma marca própria.
Sua
principal característica reside na maneira como busca desenvolver as
linhas de suas esculturas, evitando volumes mais agressivos, com
pontas, em nome de um pensamento marcado pela leveza, pela presença
de vazados quando possível e pelo mergulho nas possibilidades que a
tridimensionalidade oferece.
Mesmo
quando trabalha, por exemplo, uma peça que representa um ser mais
pesado, Kerpen consegue, por meio de um sutil processo de
arredondamento das formas, transmitir sutileza. Isso se torna ainda
mais presente quando se debruça sobre a riqueza das formas humanas.
Apaixonado
pela anatomia das pessoas e da natureza, o artista pensa e realiza
esses conceitos principalmente quando se trata de trabalhar com formas
femininas. Além de um gradual processo de verticalidade, existe a
preocupação de progressivamente estabelecer uma linguagem marcada
por uma sutil expressividade.
O grande
desafio do mármore está nas maneiras de misturar a técnica com a
imaginação e a graça de movimentos com a dureza do material. Valdo
Kerpen encontra nas encruzilhadas dessas variáveis a motivação para
construir uma obra figurativa, que encontra na forma humana o canal
para expressar sua relação com o mundo.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Arte da UNESP,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).