por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Valdir Francisco

 

            O lúdico dos heróis

 

            O acaso não existe na arte. É necessário que o artista esteja alerta para perceber os acontecimentos ao seu redor e possa, assim, transformá-los em criações. Foi justamente por essa capacidade de permanecer atento ao seu redor que o trabalho do gravador, ceramista e escultor Valdir Francisco foi selecionado para participar do 12º Salão Paulista de Arte Contemporânea de 2008.

            Francisco, que trabalhou com moldes de argila, fios de cabos lógicos, telas de arame e casulos de bichos-da-seda e seus fios, entre outros materiais, milita na gravura desde 2004. Adornos de beirais de casas de imigrantes e de ferro presentes em fachadas e chaminés de lareiras são ainda temas de seu interesse.

            No entanto, foi nas formas e contra-formas de cartelas de brindes colecionáveis distribuídos junto com salgadinhos voltados para o público jovem que Valdir, nascido em Paranavaí, PR, em 29 de abril de 1951, desenvolveu uma série de trabalhos que lidam com três aspectos fundamentais da arte contemporânea: a apropriação, o ludismo e a mescla de técnicas.

Em primeiro lugar, o artista se vale das formas dos heróis e as coloca em um novo contexto. Ao mesclar algumas delas e utilizá-las em diversas posições, utiliza seu poder de sonhar e criar, dando aos heróis uma dimensão plástica pelas diferentes composições que obtém.

O mais importante, porém, está na maneira como Francisco resolve tecnicamente a sua jornada. Conhecedor da gravura e também da cerâmica, consegue ver naqueles heróis em forma de molde o ponto de partida para numerosas experimentações.

Valdir Francisco utiliza os recursos acumulados ao longo da carreira para retirar daquelas imagens o máximo que elas podem dar em termos de construir uma interpretação visual que coloca os heróis de HQ em um novo contexto, o da arte de qualidade, enquanto maneira de pensar e buscar compreender o mundo.

Eles perdem seu caráter divino e se tornam obras de arte, inseridos na ampla visão proposta pelo criador paranaense, onde o produto de consumo, a brincadeira de criar e a técnica utilizada para dar a esse jogo uma estrutura visual se fortalecem a cada instante, graças à dedicação à pesquisa e ao saber ver num mero brinquedo o potencial deflagrador de um projeto plástico.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

 

 

           

 

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 Lúdicas impressões I - Homem de Gelo, Colossus, Ciclope
36 x 42 cm gravura e colagem 2007

Valdir Francisco

 

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