R. Ribeiro
Usinas e homens
O
contraste
entre as
chaminés
que expelem
cortinas de
fumaça de
vapor d’água e
os
funcionários
que passam
horas
perto delas a
dezenas de
metros
acima do
solo é
um dos
principais
assuntos
desenvolvidos nas
imagens de R.
Ribeiro.
Esse
diálogo
entre o
poder
expresso
pelo
elemento arquitetônico e a
aparente
fragilidade
humana fascina.
Ao
visitar
usinas
para
realizar
controle ambiental
pela Cetesb –
Companhia de
Tecnologia de
Saneamento Ambiental,
Ribeiro foi aprimorando a
sua
capacidade de
olhar
para a
beleza e, ao
mesmo
tempo, o
poder dessas
construções,
autênticos
espetáculos
em
sua
grandiosidade.
As
imagens selecionadas
pelo
fotógrafo
nos permitem
refletir
sobre a
relação do
ser
humano
com as
indústrias e
com a
natureza e
também a
pensar
como
quem ergue as
altas
chaminés é, de
certa
forma,
refém delas. Trata-se de uma
complexa
relação
que envolve
questões
políticas,
sociais e ambientais.
A
solução
visual está na
maneira
como
são enxergados os
elementos da
composição. Há
um
pensamento arquitetônico e
humano na
maneira
como ocorre a
seleção daquilo
que se
deseja
fotografar e
expor, levando
em
conta
que o maiúsculo da
construção
civil
não pode
esmagar a
capacidade
humana de
criar e de
trabalhar.
O
conjunto de
imagens realiza uma
devoção à
existência. A
densa
estrutura das
usinas parece
flutuar
junto as
cortinas de
vapor d’água e
os
seres
humanos, na
concepção de R.
Ribeiro, ao aparecerem,
são
vistos
como
protagonistas de
um
espaço do
qual,
pela
aparente
pequenez, poderiam
ser
aleijados.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes
da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-
Seção Brasil).