por Oscar D'Ambrosio


 

 


R. Ribeiro

 

            Usinas e homens

 

            O contraste entre as chaminés que expelem cortinas de fumaça de vapor d’água e os funcionários que passam horas perto delas a dezenas de metros acima do solo é um dos principais assuntos desenvolvidos nas imagens de R. Ribeiro. Esse diálogo entre o poder expresso pelo elemento arquitetônico e a aparente fragilidade humana fascina.   

            Ao visitar usinas para realizar controle ambiental pela Cetesb – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, Ribeiro foi aprimorando a sua capacidade de olhar para a beleza e, ao mesmo tempo, o poder dessas construções, autênticos espetáculos em sua grandiosidade.

            As imagens selecionadas pelo fotógrafo nos permitem refletir sobre a relação do ser humano com as indústrias e com a natureza e também a pensar como quem ergue as altas chaminés é, de certa forma, refém delas. Trata-se de uma complexa relação que envolve questões políticas, sociais e ambientais.

            A solução visual está na maneira como são enxergados os elementos da composição. Há um pensamento arquitetônico e humano na maneira como ocorre a seleção daquilo que se deseja fotografar e expor, levando em conta que o maiúsculo da construção civil não pode esmagar a capacidade humana de criar e de trabalhar.  

            O conjunto de imagens realiza uma devoção à existência. A densa estrutura das usinas parece flutuar junto as cortinas de vapor d’água e os seres humanos, na concepção de R. Ribeiro, ao aparecerem, são vistos como protagonistas de um espaço do qual, pela aparente pequenez, poderiam ser aleijados

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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