Tupari de
Lima
Um
criador inquieto
O
trabalho
plástico
com bico-de-pena e
nanquim é uma
excelente
oportunidade de
penetrar no
pensamento e no
conhecimento
visual de
um
artista
plástico. Está
expressa
ali uma
maneira de se
relacionar
com o
seu
universo dos
sonhos e
também
com o
mundo circundante.
A
natureza
levada
para o
papel
por Tupari de
Lima, falecido
em 1995, possui
aspectos
absolutamente
mágicos. Está
ali
toda uma
força
vital caracterizada
pela
mescla
entre
elementos
reais e
imaginários,
por
visões e
impressões e,
acima de
tudo,
pela
incessante
busca de
resoluções
plásticas de
qualidade.
A
presença das
corujas é
emblemática.
Seres da
noite
que
tudo vêem
com
seus
olhos esbugalhados e
cabeça
que
gira praticamente 360º,
são uma
espécie de
metáfora da
atenção do
artista
para o
poder da
natureza de
ofertar,
para
quem sabe olhá-la, uma
infinita
riqueza de
interpretações.
Um
lagarto
sobre uma
mulher,
monstros desafiadores e
relação
entre a
fumaça de
chaminés e
caveiras
são
depoimentos de
um
criador inquieto,
pronto a
surpreender
sempre. Tupari de
Lima
não apresentava
resultados
simples. Criava
sim
encantadores e misteriosos
universos
ricos
em possibilidades
para o
observador.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).