por Oscar D'Ambrosio


 

 


Tupari de Lima

 

            Um criador inquieto

 

            O trabalho plástico com bico-de-pena e nanquim é uma excelente oportunidade de penetrar no pensamento e no conhecimento visual de um artista plástico.  Está expressa ali uma maneira de se relacionar com o seu universo dos sonhos e também com o mundo circundante.

            A natureza levada para o papel por Tupari de Lima, falecido em 1995,  possui aspectos absolutamente mágicos. Está ali toda uma força vital caracterizada pela mescla entre elementos reais e imaginários, por visões e impressões e, acima de tudo, pela incessante busca de resoluções plásticas de qualidade.

            A presença das corujas é emblemática. Seres da noite que tudo vêem com seus olhos esbugalhados e cabeça que gira praticamente 360º, são uma espécie de metáfora da atenção do artista para o poder da natureza de ofertar, para quem sabe olhá-la, uma infinita riqueza de interpretações.

            Um lagarto sobre uma mulher, monstros desafiadores e relação entre a fumaça de chaminés e caveiras são depoimentos de um criador inquieto, pronto a surpreender sempre. Tupari de Lima não apresentava resultados simples. Criava sim encantadores e misteriosos universos ricos em possibilidades para o observador.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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