por Oscar D'Ambrosio


 

 


União dos Artistas Plásticos – Osasco

 

            A prática da tolerância

 

            Se a atividade artística, enquanto feitura da obra de arte, é um processo solitário, o processo de criação e de divulgação do trabalho plástico pode – e deve – ser socialziado entre todos aqueles que acreditam que pintar, esculpir ou modelar não são meros divertimentos ou terapias, mas uma autêntica expressão do fato de estar no mundo.

            Pessoas que compartilham a idéia de que podem crescer coletivamente, como seres humanos, e individualmente, como artistas, participaram, em 22 de junho de 2004, da exposição comemorativa do lançamento da União dos Artistas Plásticos (UAP) – Osasco, na Associação Cristã de Moços daquela cidade.

            O evento, que contou com o apoio de Amom de Deus, filho dos artistas plásticos Waldomiro e Lourdes de Deus, foi marcado pelo clima de integração e tornou possível observar aproximadamente 60 trabalhos de variadas tendências. Havia desde trabalhos acadêmicos a experimentações técnicas vinculadas á arte contemporânea.

            Desse conjunto, podem se destacar a imagem de uma colheita de Irene de Paula, pela forma como trabalha a cor branca e as suas figuras de rostos cobertos com chapéus, Luiz Cassemiro, pelo uso intensa da cor, Newton, pela originalidade técnica e traços próximos da linguagem dos anos 1960, Aparecida, com tons azulados de intensa delicadeza; e Vânia Ferro, com uma lúdica e criativa apologia da paz. 

            Artistas como Vania Rossi, com uma intensa figura sem rosto; Dulcinea da Silva Borges, pela busca constante da pesquisa estética; Williams Cardoso, pelo academicismo apreendido de forma autodidata; e os primitivistas Carlos Torres e Laurindo Lombas apresentaram produções vigorosas em termos de fidelidade estética ao próprio trabalho.

             A experimentação de Tania de Miranda e as esculturas de Shirley Xavier da Silva são igualmente importantes como formas diferentes de apontar os múltiplos caminhos da arte. A primeira, inquieta em sua busca estética, mergulha na pesquisa de materiais; e a segunda ofereceu uma pequena amostra de uma capacidade poética de integrar seu trabalho escultórico em espaços públicos.

            Esses doze nomes são algumas referências no conjunto apresentado na exposição comemorativa do lançamento da UAP - Osasco. Iniciativas como essa precisam ser repetidas, com exposições de cinco ou três artistas com temáticas, procedimentos ou técnicas afins, e, posteriormente, de individuais.

Desse modo, a UAP – Osasco  poderá permanecer no tempo e se tornar uma referência para os artistas plásticos da região e – por que não? – do Estado de São Paulo e do País. Para isso, será necessário manter a unidade do grupo, vencer os desafios dos egos – muito desenvolvidos entre alguns artistas – e, acima de tudo, praticar a tolerância por aquilo que é diferente, inovador ou contestador. Superadas essas barreiras, a arte de Osasco, com a UAP, apresenta plenas condições de crescer e se multiplicar nos próximos anos.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora UNESP e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo) e Contando a arte de Ranchinho (Noovha América Editora).

 

 

 

 

 

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