União dos Artistas Plásticos
– Osasco
A prática da tolerância
Se a atividade artística,
enquanto feitura da obra de arte, é um processo solitário, o
processo de criação e de divulgação do trabalho plástico
pode – e deve – ser socialziado entre todos aqueles que
acreditam que pintar, esculpir ou modelar não são meros
divertimentos ou terapias, mas uma autêntica expressão do fato
de estar no mundo.
Pessoas
que compartilham a idéia de que podem crescer coletivamente,
como seres humanos, e individualmente, como artistas,
participaram, em 22 de junho de 2004, da exposição
comemorativa do lançamento da União dos Artistas Plásticos
(UAP) – Osasco, na Associação Cristã de Moços daquela
cidade.
O
evento, que contou com o apoio de Amom de Deus, filho dos
artistas plásticos Waldomiro e Lourdes de Deus, foi marcado
pelo clima de integração e tornou possível observar
aproximadamente 60 trabalhos de variadas tendências. Havia
desde trabalhos acadêmicos a experimentações técnicas
vinculadas á arte contemporânea.
Desse
conjunto, podem se destacar a imagem de uma colheita de Irene de
Paula, pela forma como trabalha a cor branca e as suas figuras
de rostos cobertos com chapéus, Luiz Cassemiro, pelo uso
intensa da cor, Newton, pela originalidade técnica e traços próximos
da linguagem dos anos 1960, Aparecida, com tons azulados de
intensa delicadeza; e Vânia Ferro, com uma lúdica e criativa
apologia da paz.
Artistas como Vania Rossi,
com uma intensa figura sem rosto; Dulcinea da Silva Borges, pela
busca constante da pesquisa estética; Williams Cardoso, pelo
academicismo apreendido de forma autodidata; e os primitivistas
Carlos Torres e Laurindo Lombas apresentaram produções
vigorosas em termos de fidelidade estética ao próprio
trabalho.
A
experimentação de Tania de Miranda e as esculturas de Shirley
Xavier da Silva são igualmente importantes como formas
diferentes de apontar os múltiplos caminhos da arte. A
primeira, inquieta em sua busca estética, mergulha na pesquisa
de materiais; e a segunda ofereceu uma pequena amostra de uma
capacidade poética de integrar seu trabalho escultórico em
espaços públicos.
Esses
doze nomes são algumas referências no conjunto apresentado na
exposição comemorativa do lançamento da UAP - Osasco.
Iniciativas como essa precisam ser repetidas, com exposições
de cinco ou três artistas com temáticas, procedimentos ou técnicas
afins, e, posteriormente, de individuais.
Desse
modo, a UAP – Osasco poderá
permanecer no tempo e se tornar uma referência para os artistas
plásticos da região e – por que não? – do Estado de São
Paulo e do País. Para isso, será necessário manter a unidade
do grupo, vencer os desafios dos egos – muito desenvolvidos
entre alguns artistas – e, acima de tudo, praticar a tolerância
por aquilo que é diferente, inovador ou contestador. Superadas
essas barreiras, a arte de Osasco, com a UAP, apresenta plenas
condições de crescer e se multiplicar nos próximos anos.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional
de Críticos de Artes (Aica – Seção Brasil) e é autor de Os
pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro
de Deus (Editora UNESP e Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo) e Contando a arte de Ranchinho (Noovha América Editora).