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Tradições de Natal
As comemorações
de Natal e Ano Novo parecem ocorrer tão automaticamente que ninguém
se lembra mais de tentar entender o que elas representam. É o caso
das festividades do nascimento de Jesus. O termo Christmas, por
exemplo, provém do inglês antigo Cristes maesse (Christ Mass, missa
de Cristo) e se espalhou pelo mundo, sendo traduzido por Navidad, em
espanhol, e Natal, em português, palavras que lembram a
natividade.
A fixação da data de 25 de dezembro, por
exemplo, como dia do nascimento de Jesus está cercada de histórias.
Ela é o dia mais curto do ano no hemisfério norte, ocorrendo logo
após a Saturnália, festa agrícola e solar realizada na Europa
romana, em homenagem ao deus Saturno, entre 17 e 21 de dezembro.
Em 273, o Imperador Aureliano, ao criar a sua
própria religião, estabeleceu o dia 25 de dezembro como o nascimento
do venerável Sol Invencível. Em conseqüência, os primeiros papas
da Igreja, no século IV, ao estabelecerem essa data como o dia para o
nascimento de Jesus, se apoiaram nos hábitos de celebração já
existentes, trocando apenas os ritos considerados pagãos pelos
princípios cristãos.
A primeira menção oficial da data da celebração
do Natal ocorreu em 354 e as igrejas cristãs a foram adotando
gradualmente, à exceção dos armênios, que celebram o Natal, em 6
de janeiro, dia que, para os outros cristãos, celebra a chegada dos
Reis Magos. Os reis são figuras obrigatórias no presépio,
representação da Natividade criada por São Francisco de Assis
(1182-1226), que também inclui Jesus, Maria, José, pastores e
animais.
Originários da Pérsia
(atual Irã) e provavelmente sacerdotes ligados à divindade
Zaratustra, também chamado de Zoroastro, os reis seguiram, em sua
jornada até Belém, cidade em que o Menino nasceu, uma estrela, hoje
considerada uma conjunção de planetas ou uma supernova, que de fato
cruzou os céus em 7 a. C., o ano histórico mais provável do
nascimento de Cristo.
Para muitos, Natal é sinônimo de distribuição
de presentes. A raiz está no costume romano da Saturnália de dar
lembranças de boa sorte às crianças. Essa tradição associa-se à
da divindade cristã de São Nicolau, conhecido como um benfeitor
anônimo, que ajudava as pessoas sem querer reconhecimento. Essas duas
tradições se associaram aos presentes – ouro, incenso e mirra –
entregues pelos reis magos ao Menino Jesus.
As datas de entrega dos presentes mudam em
diferentes países, variando entre 6 de dezembro, dia de São Nicolau;
24 de dezembro, Véspera de Natal; 25 de dezembro, dia do Nascimento
de Jesus; 1º de janeiro, dia do Ano Novo; e 6 de janeiro, Dia de
Reis.
Quem faz a entrega dos presentes também varia
muito. Pode ser o próprio Jesus, Santa Claus (o nosso Papai Noel) ou
os Reis Magos. Há até uma tradição finlandesa segundo a qual uma
pessoa desconhecida coloca os presentes na frente das portas da casas
e logo desaparece.
Existem, porém, aqueles que desejam
registrar nominalmente seus desejos de Feliz Natal e Ano Novo por meio
de um cartão. O primeiro a ter essa idéia foi o inglês Henry Cole,
em 1843, e a idéia logo se espalhou, atingindo sucesso comercial seis
anos depois, com artistas como William Egley. O negócio não parou de
crescer e hoje, mesmo sem lembrar muito bem o que significa o Natal,
pessoas de todo o mundo enviam e recebem cartões, telegramas e
mensagens de Feliz Natal e Ano Novo pela internet.
Oscar D’Ambrosio é jornalista, integrante da Associação
Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e autor de os pincéis de Deus:
vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).
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