por Oscar D'Ambrosio


 

 
 


Tradições de Natal 

 

     As comemorações de Natal e Ano Novo parecem ocorrer tão automaticamente que ninguém se lembra mais de tentar entender o que elas representam. É o caso das festividades do nascimento de Jesus. O termo Christmas, por exemplo, provém do inglês antigo Cristes maesse (Christ Mass, missa de Cristo) e se espalhou pelo mundo, sendo traduzido por Navidad, em espanhol, e Natal, em português, palavras que lembram a natividade. 

     A fixação da data de 25 de dezembro, por exemplo, como dia do nascimento de Jesus está cercada de histórias. Ela é o dia mais curto do ano no hemisfério norte, ocorrendo logo após a Saturnália, festa agrícola e solar realizada na Europa romana, em homenagem ao deus Saturno, entre 17 e 21 de dezembro.

     Em 273, o Imperador Aureliano, ao criar a sua própria religião, estabeleceu o dia 25 de dezembro como o nascimento do venerável Sol Invencível. Em conseqüência, os primeiros papas da Igreja, no século IV, ao estabelecerem essa data como o dia para o nascimento de Jesus, se apoiaram nos hábitos de celebração já existentes, trocando apenas os ritos considerados pagãos pelos princípios cristãos.

    A primeira menção oficial da data da celebração do Natal ocorreu em 354 e as igrejas cristãs a foram adotando gradualmente, à exceção dos armênios, que celebram o Natal, em 6 de janeiro, dia que, para os outros cristãos, celebra a chegada dos Reis Magos. Os reis são figuras obrigatórias no presépio, representação da Natividade criada por São Francisco de Assis (1182-1226), que também inclui Jesus, Maria, José, pastores e animais.


    Originários da Pérsia (atual Irã) e provavelmente sacerdotes ligados à divindade Zaratustra, também chamado de Zoroastro, os reis seguiram, em sua jornada até Belém, cidade em que o Menino nasceu, uma estrela, hoje considerada uma conjunção de planetas ou uma supernova, que de fato cruzou os céus em 7 a. C., o ano histórico mais provável do nascimento de Cristo.

    Para muitos, Natal é sinônimo de distribuição de presentes. A raiz está no costume romano da Saturnália de dar lembranças de boa sorte às crianças. Essa tradição associa-se à da divindade cristã de São Nicolau, conhecido como um benfeitor anônimo, que ajudava as pessoas sem querer reconhecimento. Essas duas tradições se associaram aos presentes – ouro, incenso e mirra – entregues pelos reis magos ao Menino Jesus.

    As datas de entrega dos presentes mudam em diferentes países, variando entre 6 de dezembro, dia de São Nicolau; 24 de dezembro, Véspera de Natal; 25 de dezembro, dia do Nascimento de Jesus; 1º de janeiro, dia do Ano Novo; e 6 de janeiro, Dia de Reis.

    Quem faz a entrega dos presentes também varia muito. Pode ser o próprio Jesus, Santa Claus (o nosso Papai Noel) ou os Reis Magos. Há até uma tradição finlandesa segundo a qual uma pessoa desconhecida coloca os presentes na frente das portas da casas e logo desaparece.

     Existem, porém, aqueles que desejam registrar nominalmente seus desejos de Feliz Natal e Ano Novo por meio de um cartão. O primeiro a ter essa idéia foi o inglês Henry Cole, em 1843, e a idéia logo se espalhou, atingindo sucesso comercial seis anos depois, com artistas como William Egley. O negócio não parou de crescer e hoje, mesmo sem lembrar muito bem o que significa o Natal, pessoas de todo o mundo enviam e recebem cartões, telegramas e mensagens de Feliz Natal e Ano Novo pela internet. 


Oscar D’Ambrosio é jornalista, integrante da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e autor de os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp). 

 

 

 

 

 

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