por Oscar D'Ambrosio


 

 
 


Tozzi, o sonho do arquiteto

 

            A exposição do artista plástico paulista Claudio Tozzi, na Associação Paulista de Medicina, de 22 de junho a 22 de julho de 2005, é um convite instigante para mergulhar na produção de suas imagens desde meados dos anos 1990 a 2000. Intitulada “Arquitetura imaginária”, mostra como materiais concretos podem se transformar em mote pictórico.

            O próprio título da exposição já revela uma ambigüidade sutil. Se o substantivo “arquitetura” nos faz pensar em construções sólidas e rígidas como edifícios e casas, o adjetivo “imaginário” suscita um outro universo mental, o da criação de elementos que não existem concretamente, mas que se mantém no universo mental de cada observador.

            As doze imagens da exposição trabalham justamente nesse diapasão. Com a sua cuidadosa técnica baseada na justaposição de retículas, que pode ingenuamente ser confundida com o pontilhismo de artistas como o francês Seurat, Tozzi trabalha elementos arquitetônicos de forma renovadora.

            As escadas de Claudio Tozzi são a entrada para um mundo pictórico, não para casas ou edifícios. Podem ser retas ou ter angulações, mas mantém os principais elementos da pesquisa com a cor e a forma que caracterizam o artista. Elas não levam para lugar algum, a não ser para a consciência da harmonia plástica que a arte consciente propicia.

            Quando vemos casas em Tozzi, estamos perante um jogo de justaposição de cores para a criação de efeitos pictóricos marcados pela delicadeza e refinamento. Elas não são identificáveis como objetos do mundo real, mas como imagens pictoricamente erguidas.

            Da casa, o artista plástico parte para as fachadas. São mostradas em tons ocre ou ainda com sutis jogos cromáticos de amarelo, verde e azul. Mais do que elementos de uma residência, são composições visuais, que conduzem à reflexão do artista em se aproximar cada vez mais de uma arte que dispensa os referenciais do mundo real.

            O passo seguinte nessa construção são os telhados. Se, por um lado, pode-se dizer que evocam o passado, principalmente o das moradias antigas de São Paulo ou de algumas cidades históricas periféricas; por outro, observa-se, com mais interesse, a maneira como a construção visual provoca no observador uma sensação de leveza.

As cores mais quentes e contrastantes dos trabalhos com o título genérico de Cidade utilizam maiores massas de cor e contornos mais espessos. A cidade ganha peso em seus edifícios. Mas a referência arquitetônica se perde quando se percebe que o artista paulista não fala explicitamente do espaço urbano, mas apenas o utiliza como ponto de partida para a sua arquitetura visual.

O conjunto exposto, portanto, surge de maneira diáfana, embora trabalhe com elementos concretos, desde as escadas às cidades. Seu grande segredo está na técnica utilizada para construir um universo próprio, no qual as escadas não têm preocupação de ter um início e um fim, e as cidades não necessitam ser metrópoles concretas. São todos elementos de criação estética. E com isso se bastam!

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

 

 

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