por Oscar D'Ambrosio


 

 


Thiago Deluqui

 

            Cartografia de almas

 

            Ao se observar um mapa, estamos perante um diagrama plano representativo dos traços naturais ou artificiais da superfície da Terra ou parte dela. A obra plástica de Thiago Deluqui, no entanto, oferece muito mais do que isso. Num primeiro momento, seus trabalhos geram impacto pelo uso do nanquim e pela construção daquilo que parecem ser detalhados mergulhos visuais em cidades ou bairros determinados.

            Uma visão mais atenta, porém, revela que as cartografias do artista desvendam almas. Os caminhos criados constituem labirintos repletos de minotauros, Teseus e Ariadnes que se multiplicam na sua capacidade lúdica, principalmente nos trabalhos elaborados com a predominância do branco e preto.

            Se mapas indicam rotas e rumos, a poética de Thiago Deluqui tem a arte como principal compromisso. É no fazer de cada obra que o papel utilizado ganha expressividade e encanta pela maneira como as imagens aparecem e como os percursos estéticos são construídos. Os traços definem caminhos que se desdobram e mesclam infinitamente.

            Enquanto a cartografia é a arte exata da composição de cartas e mapas, que utiliza técnicas da agrimensura e da geodésia para obter os dados posicionais a serem apresentados, a arte de Deluqui é a do detalhe minucioso e da intensidade, do vigor presente em cada traço.

            Físicos, políticos, econômicos, demográficos, históricos, geológicos, meteorológicos ou celestes, os mapas trazem o máximo de informação possível. A cartografia de almas de Thiago Deluqui oferece outro tipo de informação: a da alma de quem observa cada quadro.

            Cada nova imagem criada pelo artista é um exercício técnico apurado de um mapa pessoal e universal. Indica direções de leitura, mas também as subverte. Propõe jogos de cores e não teme romper com a tradição. A cada instante, surge uma nova possibilidade, um caminho inesperado, um atalho, uma possibilidade de nosso olhar se perder para se reencontrar logo adiante.

            Thiago Deluqui cria cartografias da alma, porque seus mapas não são apenas urbanos ou plenos de minúcias. Há, na confecção de cada um deles,  uma ampla sinceridade estética e um esforço contínuo de buscar soluções avessas à mesmice. É aí que o artista põe a sua alma e, nesse jogo infinito, o sentimento do público é cativado.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

 

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 Oráculo
 nanquim sobre papel 70 cm x 64 cm sem data

Thiago Deluqui

 

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