Tamino
A função do senso crítico
O grande desafio de um artista, ao
longo de sua carreira, é desenvolver o senso crítico para saber se
aquilo que está produzindo pode ou não ser considerado de qualidade.
Existem nesse processo dois grandes riscos: o de supervalorizar o
trabalho ou o de minimizar a própria produção.
O artista plástico
Tamino tem tudo para não correr esses perigos. Detentor de um sendo crítico
desenvolvido ao longo dos anos, parece ter bem claro quais dos seus
trabalhos apresentam um maior valor enquanto produção e quais
podem ser considerados momentos de passagem para empreitadas mais
densas.
Nascido em 2
de outubro de 1982, neto de
Mario Gruber e filho de Gregório Gruber, artistas de referência
obrigatória no panorama das artes plásticas nacionais, Tamino pinta
profissionalmente desde 1999. Desde a infância teve contato com
diversas técnicas e se aprimorou com cursos de desenho e pintura na
Espanha e com o artista Rodrigo Cunha, em São Paulo.
O que mais
impressiona em sua pintura é a fascinação no trabalho com o retrato.
O aprimoramento contínuo na busca de soluções técnicas é visível
ao longo da produção do artista. A cada retrato, percebe-se uma evolução
não só na capacidade de pintar, mas também um amadurecimento na
habilidade de captar as emoções humanas.
Entre os
trabalhos de Tamino que não se inserem no retrato, há uma série de
troncos e raízes que merece especial atenção. Trata-se de um exercício
muito interessante na forma de trabalhar a natureza. A imagem, além de
evidentes alusões muitas vezes à morte e ao passar dos tempos, permite
um exercício de numerosas composições.
As paisagens
de São Paulo, um dos temas preferidos do pai, também são tratadas por
Tamino. Uma delas, em que é possível ver o Teatro Municipal de São
Paulo e os reflexos de luz em uma poça de água surge como um dos
trabalhos mais interessantes pela forma como o tema é tratado. O grande
desafio, nesse caso, é encontrar visões plasticamente novas de
universos visuais já conhecidos.
Além das
obras sobre tela, Tamino realiza trabalhos sobre papel que merecem ser
conhecidos pelo público. É o caso de algumas paisagens e retratos, além
de alguns “divertimentos”, no sentido musical do termo, sobre
objetos, como uma das peças do jogo de xadrez.
No uso de
tons de ocre e nas composições em que surgem vazios a, paradoxalmente,
preencher a tela, Tamino parece oferecer o caminho mais rico para seus
próximos anos. No gradual processo de desvendar a alma humana pela
milenar técnica do retrato, está a prática contínua de pesquisa que
caracteriza o autêntico artista.
Indiferente
à idade, um criador autêntico sabe-se nunca pronto e amplia, com o
tempo, o poder de melhorar a sua forma de lidar com os materiais. O
diletante, em contrapartida, ilude-se ao julgar que já encontrou o seu
caminho e corre o sério risco de estagnar. Com um senso crítico
superior ao dos pintores de sua geração, Tamino tem plena consciência
que com a prática e o estudo contínuo pode oferecer a sua talentosa
reposta artística ao mundo.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de
Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação
Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor,
entre outros, de Contando a arte de Cláudio Tozzi (Noovha América)
e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus
(Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).