por Oscar D'Ambrosio


 

 


Tamino

 

            A função do senso crítico

 

            O grande desafio de um artista, ao longo de sua carreira, é desenvolver o senso crítico para saber se aquilo que está produzindo pode ou não ser considerado de qualidade. Existem nesse processo dois grandes riscos: o de supervalorizar o trabalho ou o de minimizar a própria produção.

            O artista plástico Tamino tem tudo para não correr esses perigos. Detentor de um sendo crítico desenvolvido ao longo dos anos, parece ter bem claro quais dos seus trabalhos apresentam um maior valor enquanto produção e quais  podem ser considerados momentos de passagem para empreitadas mais densas.

            Nascido em 2 de outubro de 1982,  neto de Mario Gruber e filho de Gregório Gruber, artistas de referência obrigatória no panorama das artes plásticas nacionais, Tamino pinta profissionalmente desde 1999. Desde a infância teve contato com diversas técnicas e se aprimorou com cursos de desenho e pintura na Espanha e com o artista Rodrigo Cunha, em São Paulo.

            O que mais impressiona em sua pintura é a fascinação no trabalho com o retrato. O aprimoramento contínuo na busca de soluções técnicas é visível ao longo da produção do artista. A cada retrato, percebe-se uma evolução não só na capacidade de pintar, mas também um amadurecimento na habilidade de captar as emoções humanas.

            Entre os trabalhos de Tamino que não se inserem no retrato, há uma série de troncos e raízes que merece especial atenção. Trata-se de um exercício muito interessante na forma de trabalhar a natureza. A imagem, além de evidentes alusões muitas vezes à morte e ao passar dos tempos, permite um exercício de numerosas composições.

            As paisagens de São Paulo, um dos temas preferidos do pai, também são tratadas por Tamino. Uma delas, em que é possível ver o Teatro Municipal de São Paulo e os reflexos de luz em uma poça de água surge como um dos trabalhos mais interessantes pela forma como o tema é tratado. O grande desafio, nesse caso, é encontrar visões plasticamente novas de universos visuais já conhecidos.

            Além das obras sobre tela, Tamino realiza trabalhos sobre papel que merecem ser conhecidos pelo público. É o caso de algumas paisagens e retratos, além de alguns “divertimentos”, no sentido musical do termo, sobre objetos, como uma das peças do jogo de xadrez.

            No uso de tons de ocre e nas composições em que surgem vazios a, paradoxalmente, preencher a tela, Tamino parece oferecer o caminho mais rico para seus próximos anos. No gradual processo de desvendar a alma humana pela milenar técnica do retrato, está a prática contínua de pesquisa que caracteriza o autêntico artista.

Indiferente à idade, um criador autêntico sabe-se nunca pronto e amplia, com o tempo, o poder de melhorar a sua forma de lidar com os materiais. O diletante, em contrapartida, ilude-se ao julgar que já encontrou o seu caminho e corre o sério risco de estagnar. Com um senso crítico superior ao dos pintores de sua geração, Tamino tem plena consciência que com a prática e o estudo contínuo pode oferecer a sua talentosa reposta artística ao mundo.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Cláudio Tozzi (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 
 

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  João Aventureiro 
acrílico sobre tela 2005

 Tamino

 

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