por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Maurício Takiguthi

 

A técnica precisa

 

“A caminhada é dura, mas vale todos os sacrifícios”. As palavras do artista plástico Osvaldo Goeldi, citadas pelo poeta Manuel Bandeira, em Andorinha, andorinha, dão uma boa dimensão do trabalho realizado pelo pintor Maurício Takiguthi, que toma como base de sua produção o legado dos velhos mestres. Atinge assim uma maneira peculiar de pintar, que, sem regras pré-determinadas, consegue um resultado estético que já lhe rendeu diversos prêmios.

            Nascido em São Paulo, Capital, em 29 de outubro de 1972, Takiguthi quando criança, adorava desenhar leões, cavalos e super-heróis. Aos 14 anos, estimulado pelo irmão, começou a estudar pintura com o artista uruguaio Pedro Alzaga, que o ensinou a respeitar os mestres da pintura e a conhecer um percurso acadêmico que incluiu o desenho de peças de gesso e naturezas-mortas a partir do natural, além da prática em desenho em claro e escuro com carvão.

            Paralelamente à arte, Takiguthi cursou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, mas logo percebeu que não gostaria de atuar profissionalmente na área. Seu universo era o da pintura. Isso o levou a desempenhar vários trabalhos, como o retrato, durante três anos e meio, de cerca de 400 cães, gatos e cavalos, animais muitas vezes premiados em exposições especializadas.

O jovem artista teve também aulas com o pintor Gilberto Geraldo e realizou o curso de desenho e composição no Liceu de Artes e Ofícios. Dessa bagagem cultural, retira suas grandes influências, que divide em três blocos: os mestres do século XVII (Velázquez, Van Dyck, Rembrandt e Rubens); os do século XIX (Sargent, Zorn, Sorolla, Bonnat, Beaux e Joseph de Camp) e os norte-americanos contemporâneos (Leffel, Kinstler, Silverman, Schmidt e Greene) que integram a corrente do realist painting ou representational painting.

A somatória dessas fontes com a criatividade do artista pode ser observada em telas como Obasama, que recebeu o prêmio Pequena Medalha de Ouro no 53º Salão Paulista de Belas Artes, em 2002. Uma idosa oriental é mostrada com intensa luminosidade, que faz ressaltar o seu cabelo e as veias da região do pescoço, efeito conseguido ainda pela maneira muito especial como é trabalhado o fundo.

Nessa mesma linha de retratos que partem de técnicas clássicas, mas contam sempre com uma pitada de inovação, a tela Velho indiano, prêmio Menção Honrosa, no 4º Salão de Artes Plásticas Novo Milênio, realizado no Centro Cultural Árabe Sírio no Brasil, em 2001, apresenta  também um senhor idosos, mas com uma musculatura enrijecida, numa mescla de fragilidade e extremo vigor físico.

Hindu, prêmio Medalha de Ouro no 14º Salão de Artes Vera Donnini, na Associação Comercial de Pinheiros, em 2001, também revela grande primor técnico na forma de tratar diversos componentes, como o cabelo longo, as tonalidades da roupa amarela e a barba negra, mas com alguns cabelos brancos plenamente identificáveis.

Menina indiana traz ao espectador uma moça recém-saída de um filme. O cabelo coberto com um tecido vermelho e amarelo, associado ao vestido que se confunde com o fundo, oferece um resultado cromático muito bem realizado, complementado pela intensidade do olhar e pelo trabalho cuidadoso na composição da cor da pele da personagem.

            Como bem apontou Goeldi, a trajetória do artista é dura. Takiguthi, ciente disso, realiza diversas atividades para conseguir viver de seu trabalho. Isso inclui ministrar cursos de pintura, a venda de quadros de variados temas e atender encomendas de retratos. Em todas essas atividades, mantém a mente sempre alerta para a necessidade de estudar e pesquisar as mais variadas técnicas pictóricas e de composição.

            Takiguthi demonstra a consciência de que a prática incessante, repetitiva e disciplinada é o melhor caminho para crescer artisticamente. Isso significa aprimoramento no desenho da figura humana, que exige pleno domínio de diversos aspectos da construção pictórica, como desenho, volume, planos e análise de cor.

            O escritor francês Guy de Maupassant, em Pedro e João, já alertava que “os grandes artistas são aqueles que impõem à humanidade a sua ilusão particular”. Maurício Takiguthi, nesse sentido, cria seus retratos com mãos de mestre. Profundo conhecedor da técnica pictórica, coloca em seus personagens olhares e silêncios plenos de emoção, construindo assim seus passos na caminhada pelo mundo da arte.

 

            Oscar D’Ambrosio é jornalista, integra a Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e é autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp).

 

 

 

 

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"Obasama"

O.S.T - 
60X50 cm - 2002 

Maurício Takiguthi

 

 

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