Takako Nakayama
A
força da
abstração
O
desenho é a
fonte
primordial de boa
parte da
produção
plástica
contemporânea de
qualidade. É na
percepção
desenvolvida
pelo
estudo da
dinâmica do
espaço e dos
jogos de
luz
que se
torna
possível
criar as
mais variadas
técnicas,
mas
sempre tendo
em
vista o
apuro
visual.
Nascida
em 1977,
em Fukuoka, Japão, e radicada
em
São Paulo, SP,
desde 2005, Takako Nakayama é a
única
praticante no Brasil de
um refinado procedimento: a
escultura
em
laca japonesa,
também
conhecida
como urushi (charão, no Brasil),
árvore da
família da
aroeira,
originária do Vietnã e do Japão, da
qual se extrai uma
resina
que,
após
tratamento adequado, é usada
como
pintura de acabamento laqueado
em
móveis e
outros
objetos.
A
artista, restauradora reconhecida
pela
Associação de
Preservação do
Patrimônio
Histórico, vale-se,
em
suas
obras, da
técnica tinkin,
que consiste
em
preencher os
vãos esculpidos na
laca
com
pó de
ouro
ou de
prata. Trata-se de
um
trabalho demorado
que exige o mencionado
conhecimento do
desenho e
amor ao
detalhe
como
forma de
atingir uma
realização
plástica
plena, caracterizada
pelo
exímio acabamento.
Apaixonada
pelo
lápis 5B e
pelos
escultores Henry Moore e Alberto
Giacometti, Takako realiza na
laca
tanto uma
linha de
raciocínio
mais figurativa e
próxima a
temas
orientais
como uma
pesquisa
abstrata
em
que o fundo negro da
laca e o
dourado da
folha de
ouro estabelecem
um
diálogo
espiritual,
não no
sentido místico,
mas no da
exploração do
espaço
vazio
como
elemento
plástico
que remete a
um mergulho
interior na
busca das profundas motivações
que valorizam a
existência.
Quando Takako Nakayama abre
mão da figuração e se adensa no
jogo das
formas e na possibilidade de
viajar pelas
abstrações, a
liberdade dos
escultores
que admira e a
própria
habilidade no
lidar
com o
traço se intensificam
rumo à
construção de
mundos
próprios,
onde utiliza a
sabedoria aprendida
com os
mestres
orientais e a
visão questionadora da
arte
contemporânea.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista, é
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes (IA) da Unesp, câmpus de
São Paulo e integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (Aica -
Seção Brasil).