Lúcio
Bittencourt
A
sucata em forma de arte
O
escultor Lúcio Bittencourt dá vida a objetos aparentemente mortos. A
sucata ressuscita, na solda criativa do artista, em novas formas,
provando como o talento, a imaginação e o ludismo podem dar novas
roupagens a velhos objetos, gerando um resultado estético vigoroso.
Seu
forte é o trabalho com aço, material que, ao se encontrar com a sua
solda, propicia resultados estéticos de grande impacto e beleza ao
longo de uma carreira com mais de 700 exposições individuais e
coletivas no Brasil e no exterior. Nelas, mostra diversas obras, que
oscilam entre 3 cm e 8 metros de altura.
Os
trabalhos de Bittencourt convidam a dois movimentos. Levam o observador
a se aproximar da escultura, para verificar como ela foi feita a partir
de elementos diversos, como chapas, porcas e parafusos, e a buscar uma
observação mais distante, voltada para a identificação do objeto
apresentado.
O
artista tem o poder de levar à reflexão filosófica a partir de
imagens com amplo apelo emocional. Isso não deixa de ser curioso, pois
o trabalho com sucata e com aço poderia, num primeiro momento, ser
considerado frio e impessoal. Não é o que ocorre com as soldagens
desse artista nascido em Mogi das Cruzes.
A
forma como justapõe diversos elementos dão a cada escultura uma
estrutura às vezes narrativa. As imagens criadas oscilam entre o real e
o imaginário, na combinação das mais diferentes peças recompostas
pelo autor em formas às vezes surpreendentes, como ocorre em algumas
aves e personagens fantásticos e totens menos figurativos.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista e mestre Artes Visuais pela Unesp, integra a
Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).