por Oscar D'Ambrosio


 

 


Lúcio Bittencourt

 

A sucata em forma de arte

 

O escultor Lúcio Bittencourt dá vida a objetos aparentemente mortos. A sucata ressuscita, na solda criativa do artista, em novas formas, provando como o talento, a imaginação e o ludismo podem dar novas roupagens a velhos objetos, gerando um resultado estético vigoroso.         

Seu forte é o trabalho com aço, material que, ao se encontrar com a sua solda, propicia resultados estéticos de grande impacto e beleza ao longo de uma carreira com mais de 700 exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Nelas, mostra diversas obras, que oscilam entre 3 cm e 8 metros de altura.

Os trabalhos de Bittencourt convidam a dois movimentos. Levam o observador a se aproximar da escultura, para verificar como ela foi feita a partir de elementos diversos, como chapas, porcas e parafusos, e a buscar uma observação mais distante, voltada para a identificação do objeto apresentado.

O artista tem o poder de levar à reflexão filosófica a partir de imagens com amplo apelo emocional. Isso não deixa de ser curioso, pois o trabalho com sucata e com aço poderia, num primeiro momento, ser considerado frio e impessoal. Não é o que ocorre com as soldagens desse artista nascido em Mogi das Cruzes.

A forma como justapõe diversos elementos dão a cada escultura uma estrutura às vezes narrativa. As imagens criadas oscilam entre o real e o imaginário, na combinação das mais diferentes peças recompostas pelo autor em formas às vezes surpreendentes, como ocorre em algumas aves e personagens fantásticos e totens menos figurativos.   

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

 

 

 



 

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