por Oscar D'Ambrosio


 

 
 

 

Sônia Menna Barreto

 

            Um projeto construtivo

 

            Perante um quadro de Sônia Menna Barreto, a primeira sensação pode ser de espanto. Dois aspectos geralmente se destacam: a profusão de imagens e a técnica muito apurada. O desejo é de mergulhar na tela para, pouco a pouco, desvendar os seus múltiplos segredos.

            Progressivamente, ao observar um conjunto dos trabalhos da artista, alguns assuntos vão ganhando destaque. A presença de figuras da commedia dell’arte, por exemplo, introduz um fator bem-humorado, mostrando que o fato de dominar o metiê pictórico não significa se afastar do caráter lúdico.

Pelo contrário, o virtuosismo aponta para o estabelecimento de um todo de cores vivas, que permite instaurar um universo próprio. Um objeto que concentra as atenções nesse cosmos é o livro. Ele surge, de maneira mais ou menos manifesta, de acordo com o caso, introduzindo o observador num mundo de fantasia.

De fato, o que a artista cria é justamente uma para-realidade próxima ao realismo fantástico, no sentido de que o conhecimento dela implica estar em um pensamento paralelo, com uma lógica toda peculiar, marcada pela ilusão na composição dos mais variados ambientes plásticos.

A existência de termos recorrentes, como as cartas de baralho, que interagem com diversos personagens, acentuam a importância do lúdico como forma de expressar um pensamento estético em que as tradicionais rígidas fronteiras entre a realidade a ficção perdem totalmente o sentido.

Objetos ou pessoas que saem dos livros ou elementos pintados que parecem deixar os quadros para penetrar no mundo real são marcas de uma realidade pictórica que o tempo todo questiona o limite entre o real e o imaginário e entre a vida e o pintado. Assim, Sônia se fortalece como uma talentosa criadora de composições visuais.

Muito mais interessante do que discutir o que pinta é se debruçar na maneira como constrói suas camadas de sobreposições e veladuras para atingir um trabalho de técnica refinada extremamente bem acabado, tanto na exploração do espaço como na forma de equilibrar as cores.

Cada nova pintura não é apenas mais um quadro. Constitui um bem realizado exemplo de como pintar significa, para a artista, estabelecer um microcosmos pleno de sentido interno, capaz de prescindir de textos explicativos tal o seu vigor enquanto projeto construtivo coerente, delicado e com um lirismo, ao mesmo tempo, pessoal, pela combinações estéticas atingidas, e universal, em seu impacto visual.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (AICA-Seção Brasil

 

 

 

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Brasil
óleo sobre tela40 x 50 cm 2006

Sônia Menna Barreto

 

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