por Oscar D'Ambrosio


 

 


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Sonia Mara Mello

 

A teatralidade em pintura

 

A fascinação da arte está, em boa parte, na liberdade de interpretações que ela oferece. E isso se torna ainda mais marcante quando uma pintora se utiliza de diversos símbolos recorrentes na construção de sua obra plástica. O diálogo entre o que está dito e sugerido ganha então novas conotações.

O universo visual de Sonia Mara Mello se vale de numerosas visões de mundo, carregando em si mesmo uma certa teatralidade. Há uma estética da fragmentação, na justaposição de imagens e, ao mesmo tempo, o estabelecimento de uma linguagem ancorada na presença de rostos, geralmente de perfil.

Mas o trabalho incorpora outros elementos fundamentais, como os fundos coloridos. Doris Lessing, agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura de 2007, já disse que um artista apenas deve ser comparado com ele mesmo, mas, por outro lado, o diálogo entre criadores sempre é estimulante.

Nesse aspecto, a artista evoca as estruturas visuais de Klimt e os rostos de Rubens Gerchman. Essas conversas que a artista brasileira, nascida em Curitiba, Estado do Paraná, sugere valorizam o seu trabalho como um passo constante rumo a uma identidade diferenciada.

Peixes, espirais, figuras femininas, vasos de flores e frutas – muitas delas – contribuem ainda mais para o estabelecimento de um jogo cromático em que o vermelho e o verde têm um papel fundamental. Maçãs, que criam elos com corações, melancias e morangos preenchem a tela, muitas vezes dialogando com amarelos e azuis.

Existe na obra o diálogo entre dois mundos. Há uma alegria de viver presente nas cores mais quentes e em certo ludismo de alguns trabalhos; mas também é visível uma certa melancolia, na concepção do mundo como um palco de representações, onde o palhaço diverte ao mundo exterior pelo pranto interior que traz dentro de si.

A teatralidade marca o pensamento pictórico de Sonia Mara Mello. Suas telas são um grande palco, onde cores, personagens e situações atingem uma composição harmoniosa, na qual forma e fundo dialogam em hábil ambigüidade, pois estabelece-se a saudável dúvida se somos atores ou observadores do espetáculo da vida.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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No limite do tempo, tudo que renasce
100 x 79 cm sem data

Sonia Mara Mello

 

 

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