por Oscar D'Ambrosio


 

 


Solange Rossignoli

 

            O desafio da renovação

 

            São diversos os fatores que mobilizam a criação do artista. Há a fuga do cotidiano que nos torna cada vez mais humanos e a busca, por intermédio de expressões poéticas, da nossa faceta mais divina. Ser artista não deixa de constituir uma maneira não blasfema de brincar de Deus. O trabalho plástico de Solange Rossignoli é a constatação de uma trajetória plástica que tem como grande desafio a renovação constante. Sua obra tem uma aversão notória pela repetição e a inquietação da procura incessante de melhores resultados para as indagações que a mobilizam desde a juventude.

            Nascida em Lins, SP, em 12 de julho de 1960, e radicada em São Bernardo do Campo, SP, Solange iniciou a sua trajetória nas artes plásticas em 1986. Começou a trabalhar com óleo sobre tela e, em uma fase de buscas e questionamentos, teve como primeiras influências o pintor Antonio Victor e os mestres expressionistas alemães

Em seguida, ao se encantar pela aquarela, fez releituras de trabalhos de Paul Klee. A partir de 1998, Solange concentrou a sua energia na criação de gravuras. Inicialmente, cologravuras com Selma Dafré e, depois, litogravuras, com o mestre impressor Roberto Gyarfi, e xilogravuras, tendo como auxiliar na impressão o artista plástico Marbé.

            Após viajar para Belém, PA, o trabalho de Solange se voltou para gravuras inspiradas no mundo indígena. Isso não significa o encontro de soluções fáceis. Pelo contrário, a partir desse momento, o que passa a existir é uma pesquisa estética com sistemática aversão pela repetição.

            Certamente é por isso que cada trabalho de Solange é marcado pelo frescor. A temática é o que menos importa perante obras nas quais a dialética entre o horizontal e o vertical é solucionada de diversas formas, quase sempre com  resultados muito positivos.

            As ilustrações realizadas por Solange para o livro de poemas Sagaracontos, de Irineu Volpato, em 1996, merecem análise. Ao enfocar figuras como saci-pererê, boitatá, negrinho do pastoreio, iara e curupira, obtém imagens que ampliam o seu vigor quando o objetivo é tornar em resultado imagético sentimentos como “acalanto” e “saudade”.

            A arte de Solange, portanto, oferece diversos caminhos de leitura. Seja nas imagens que tomam a natureza e a cultura indígena como referência ou naquelas em que o folclore brasileiro é o ponto de partida, a expressividade fala mais forte. O vigor, a sua marca registrada, talvez seja oriundo de sua confessada fascinação inicial pelo expressionismo alemão.

            No entanto, nas imagens em que trata de sentimentos humanos como as mencionadas no livro de Volpato, consegue uma força que nos obriga a pensar se a autêntica energia da artista não deveria ser canalizada para uma série que busque desvendar o mais íntimo do sentimentos humanos.

            A jornada proposta pode ser árdua, mas Solange Rossignoli reúne o talento e a técnica necessários para sair vitoriosa. Há em suas figuras uma plenitude existencial que deve ser colocada a serviço de si mesma e da arte para que as suas imagens ofereçam respostas para o grande desafio de viver. 

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor de Contando a arte de Ranchinho (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

 

 

 

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colagravura com embalagem 13x21 cm sem data

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