Sol Anand
Natureza a quatro mãos
O dia 5 de
junho, destinado à celebração do Meio Ambiente e da Ecologia, tem
seu maior precedente no século XIX, com o biólogo alemão, Ernst
Haeckel (1834-1919), que propôs, em 1866 o nome “Ecologia” para a
disciplina que estuda a relação dos seres vivos com o meio ambiente.
A data é
utilizada como pretexto para chamar a atenção mundial para a
necessidade urgente de ações para a questão ambiental. Basta lembrar
que o desmatamento em grande escala já chega a 46% das matas
primitivas da terra. Dos 62.200 mil km2 de florestas
originais, somente 33.400 mil km2 ainda cobrem a
superfície do planeta.
Todo ano,
cerca de 170 mil km2 de mata são destruídas,
principalmente pelas queimadas de grandes áreas para o cultivo da
agricultura e a prática da pecuária. A comercialização da madeira, a
expansão dos centros urbanos, a construção de estradas e o
extrativismo de interesse econômico são outros fatores que levam à
devastação.
Infelizmente, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o
Brasil é o recordista no mundo em desmatamento, sendo derrubados
anualmente na Amazônia em torno de 15 mil km2de floresta.
Sob o pseudônimo de Sol Anand, os artistas D’Solrac e Hélio Tarallo,
que utiliza o nome indiano Anand, tratam dessas e de ouras questões
ligadas à ecologia e ao meio ambiente em seu recente trabalho a
quatro mãos.
O assunto
central é a beleza da natureza brasileira, com destaque para a Mata
Atlântica. As imagens que ambos pintam, alternando-se no pincel e na
espátula, em demonstrações ao vivo em exposições, tem como principal
característica o uso da cor para obter os mais variados efeitos.
Nascido em
Colina, interior do Estado de São Paulo, D’Solrac é um especialista
na criação de realidades pictóricas em que a cor e a luz são
utilizadas de maneira a estabelecer atmosferas dinâmicas que se
valem da construção de áreas de massas de tinta compactas e
equilibradas.
O
paulistano Helio Tarallo, o Anand, por sua vez, encontra a sua
melhor maneira de expressão no gesto presente em suas obras. A
técnica impressionista progressivamente cedeu espaço, após contato
com técnicas de auto-conhecimento e uma viagem a Índia, a um
mergulho numa arte em que o gestual se torna essencial, numa busca
pela autenticidade do ser, pela verdade interior tornada imagem.
O trabalho em dupla
obtém o poderoso efeito de composições que não tem uma preocupação
de fidelidade ao real ou de cientificismo biológico, mas de
estabelecimento de atmosferas imagéticas em que as maravilhas
proporcionadas pela natureza são exaltadas.
As
experiências plásticas individuais de cada D’Solrac e Anand são
somadas de modo a resultar numa obra em que a espontaneidade e a
técnica oferecem uma pintura que encanta pela beleza e que, acima de
tudo, alerta contra a devastação das florestas e defende a
preservação das árvores e dos ecossistemas que tanto contribuem para
a saúde do planeta e da vida humana.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da
UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção
Brasil)