por Oscar D'Ambrosio


 

 


  Roberta Fialho

 

            Sob o signo do kandi

 

            A produção de Roberta Fialho tem no desenho a matriz de sua criação. Sua poética é construída a partir do kandi, um dos tipos de escrita japonesa, na qual cada um dos 3.500 símbolos traduz um significado. A partir do desenho e pintura de um deles, ela constrói uma imagem plástica que se relaciona com o conceito expresso no sinal gráfico, que praticamente desaparece no novo conjunto perante a soma de elementos formais e colorísticos.

            Educadora artística e pós-graduanda em Procedimentos e Processos ArtísticosNovos Meios, no Instituto de Artes da Unesp, sob orientação do docente Milton Sogabe, Roberta vem há alguns anos progressivamente desenvolvendo uma pesquisa com essa escrita japonesa e com o kendô, luta marcial oriental em que os movimentos precisos, assim como na pintura, são fundamentais.

            Há em cada obra da exposição, que homenageia o centenário da imigração japonesa no Brasil,  movimento, intensidade e mistério. A cor se destaca pela presença constante e consistente, embora moderada. Uma técnica apurada é colocada a serviço de imagens que dão a palavracriar” o significado de intensa pesquisa em busca de uma linguagem.

A pintura e desenho de Roberta Fialho apresentam a elegância e a simplicidade delicada de uma linguagem visual caracterizada pela atenção na apresentação nos detalhes, além de transmitir a sabedoria oriental da transitoriedade do mundo, que a mudança é inerente a tudo, inclusive à arte.

 

            Oscar D’Ambrosio é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da Unesp e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

 

 



 

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