por Oscar D'Ambrosio


 

 


Sergio Torretta

 

            O caminho dos pincéis

 

            A diversidade de expressão pode ser uma qualidade artística, mas o processo de amadurecimento traz sempre a possibilidade de buscar novas fronteiras e desenvolver um estilo autônomo, com características próprias, criando marcas registradas que tornam cada tela inconfundível, como se tivessem impresso o DNA de seu autor.

            A obra pictórica de Sergio Torretta vive justamente esse momento de busca de consolidação por uma assinatura inequívoca. Sua pintura, que hoje caminha em várias direções, tende, com o passar dos anos, a encontrar uma linguagem visual na qual possa expressar todo seu potencial colorístico e criativo.

            Torretta, nascido em 5 de agosto de 1972, em São Paulo, SP, começou a pintar após um acidente que, aos 18 anos, o deixou tetraplégico. Em 1994, por insistência da mãe, para sair de casa e voltar a se relacionar com o mundo, começou a ter aulas de pintura na Casa de Cultura de Matão, onde residia na época.

            Após três anos, notou que precisava melhorar a técnica, pois a sua principal referência continuava sendo a pincelada da professora. Passou então a ter, de 1999 a 2002, aulas com o artista plástico Anderson Giannetti. No ano seguinte, foi ministrar uma oficina de arte em Curitiba, PR, onde acabou ficando até hoje.

            O artista divide a sua vida entre o aperfeiçoamento na pintura e o projeto “Eficiência Além da Deficiência - Incluindo Através da Arte”, coordenado pela sua companheira de vida, a fonoaudióloga Lênia Luz Nogueira. Motivação e oficinas de pinturas a óleo com alto relevo em massa acrílica e exposição de seus trabalhos combinam-se numa atividade que congrega deficientes e não-deficientes.

            Atualmente, Torretta pinta naturezas-mortas, paisagens, casarios, marinhas, flores e abstratos. É nestes últimos que atinge o melhor resultado estético, dando uma maior liberdade às formas, conseguindo escapar de certas limitações realísticas que os primeiros gêneros oferecem.

            Nesse sentido, embora se utilize muitas vezes de cores quentes, como vermelho, amarelo e laranja e suas nuances, parece estar no azul uma das matrizes que Torretta poderia explorar com maior intensidade. Os mistérios desta cor parecem exercer um chamado que o artista paulista ainda pode desenvolver plenamente. 

            Exemplo de vida e pintor de sinceridade inegável, Sérgio Torretta encontrou o seu caminho na vida pelas pinceladas nas telas. Cada uma delas é mais um passo rumo ao aperfeiçoamento e à prática pictórica constante, tornando-se um exercício vivencial único e irrepetível.

 

            Oscar D’Ambrosio, jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 

 

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Torres

óleo sobre tela 25x80 cm sem data


Sérgio Torretta

 

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