|
|
|
|
Sergio Romagnolo Caminhos da civilização O escultor, pintor e desenhista Sergio Romagnolo apresenta uma grande ironia ao mundo dominado pelos meios de comunicação, pelos produtos de consumo e por uma certa futilidade nas relações humanas, cristalizada muitas vezes nos seriados de televisão, uma de suas matrizes criadoras.
Nos trabalhos dos anos 1980, os
super-heróis são colocados nas telas, com o uso da tinta acrílica, em
situações cotidianas. Paralelamente, figuras do imaginário de toda uma
geração, como o batmóvel, ganham uma versão pictórica marcada por um
clima impressionista, no sentido de perda dos referentes concretos e
entrada em novas dimensões. A discussão que se instaura é a aparente imperfeição do resultado final. Ele parece mal acabado e contraria a lógica dos modelos originais. Coloca-se em questão a própria noção de belo e, acima de tudo, enxerga-se, por meio do plástico, uma civilização que lida no cotidiano com um tom derrisório, de ausência de referenciais. As esculturas, ocas, discutem ainda a sensação da falta de recheio. Elas são apenas um simulacro, uma representação. A sua essência foi perdida em nome de uma progressiva diluição, de uma carência de sentido e de uma plastificação que, por um lado, torna falso, mas por outro, maravilha pelo desequilíbrio e fascinação que instaura. Os
trabalhos mais recentes em pintura são sobre o seriado A Feiticeira.
Samantha e seu marido James aparecem nas mais variadas situações, mas
sempre desfocados, como se a televisão tivesse algum problema. As imagens
são sobrepostas, talvez numa alusão justamente ao poder da televisão de
criar mitos que vencem o tempo pela sua onipresença. Os santos desmaterializados, aparentemente derretidos, as telas que aludem a embalagens e imagens de menininhas deixadas menos concretas e mais líquidas são formas de estabelecer um mundo visual que se distingue pelo anti-conformismo e pela falta de certezas em nome de um indagar constante sobre os caminhos da civilização. Oscar
D’Ambrosio, jornalista e mestre
|
Fusca
grande
plástico modelado 160x160x400 cm 2003
Sergio Romagnolo