por Oscar D'Ambrosio


 

 

 

 
 

Se a pintura morreu, esqueceram de me avisar

 

            Não foram poucos os que se entusiasmaram com o slogan de que “a pintura estava morta”, frase que o próprio tempo se encarregou de soterrar. O mais curioso é que muitos artistas, ao contrário de se debater publicamente contra esse tipo de idéia, simplesmente se voltaram para os ateliês para produzir mais e melhor.

A proposta desta exposição é justamente trazer à luz essas criações, feitas sem o intuito de resistência, mas apenas – o que não é pouco – como uma necessidade visceral de manifestação de vida. Valorizam a arte naquilo que ela tem de melhor, ou seja, a capacidade de estabelecer um diálogo com o mundo.

            Num momento muito especial, em que ocorre uma tolerância em relação a qualquer tipo de manifestação e se vive uma falta de paradigmas para estabelecer o que pode ser considerado bom ou ruim, a tendência é o isolamento. Cada grupo realiza as suas composições, bate palmas para si mesmo e perde a noção do todo.

            A postura é muito mais de desconstrução do que de construção. Com a ausência de critérios rígidos de avaliação – já que eles foram abolidos ou estão em crise na pós-modernidade, encerrada, para alguns com a derrubada das Torres Gêmeas – cada ato se torna uma ação pretensamente única e isolada.

            As obras aqui reunidas, nesse contexto, propõem cada vez mais sugestões, criando novas problemáticas e indagações e possibilitando menos respostas prontas – o que parece bastante saudável e está afinado com o chamado vanguardismo do  pós-moderno, que lida com a idéia de estabelecer novas verdades ou métodos.

            O essencial é ressaltar que não existe garantia de que se possa chegar a respostas universais e imutáveis. As obras atuam então numa encruzilhada. De um lado, a busca da instituição e entidade da verdade; do outro, os motivos da existência e a vontade humana cotidiana.

            O pensamento crítico sobre o sentido da verdade, em seu sentido filosófico, e sobre a realidade, enquanto consciência política, social e econômica, gera uma arte marcada por uma intensa força vital no sentido de buscar uma aceitação crítica das instituições.

Ser livre significa ter o poder de acreditar em muitas coisas. Esteja a pintura morta ou não, a arte de qualidade permanece. Encontrá-la é o desafio proposto. Cada criação é a manifestação de um olhar sobre o mundo absolutamente pessoal que se dá entre o sonho de um artista e a sua capacidade de lhe dar uma concretude visual.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

 

 

 

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