Saulo
Mota
O império
da cor
O trabalho
com a cor é a tônica do trabalho plástico de Saulo Mota. Na exposição
Divas do imaginário, de 5 a 26 de abril de 2006, no Espaço
Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, SP, ele mostra o poder dessa
força em pinturas nas quais os sentimentos das figuras retratadas são
traduzidas pelo uso das potencialidades da cor no ato de evidenciar emoções.
Nascido em São
Paulo, SP, Mota, formado em Artes Plásticas na Escola Panamericana de
Artes, vale-se da tinta acrílica, que utiliza, além da tela, em outros
suportes, como cerâmicas e tecidos. Em comum, essas obras têm a forma
de mostrar a sua relação com o mundo via figuração e via cor.
Curiosamente,
os trabalhos da exposição apresentados em branco e preto, por realçarem
mais o desenho, sugerem um mundo que parece ter uma ampla possibilidade
de expressão ainda não totalmente exploradas pela capacidade de
sugerir estados de espírito e diversas atmosferas.
De fato, o
uso da cor para criar entornos plásticos constitui um recurso dos mais
interessantes, com um potencial que, se não levado a extremos, pode se
renovar constantemente. O que ele oferece de melhor é justamente a
possibilidade inesgotável de renovação.
Em
contrapartida, o estabelecimento de algumas formas a serem continuamente
desenvolvidas pode ser até uma armadilha, principalmente quando alguns
trabalhos têm uma linguagem plástica mais próxima da cerâmica do que
da pintura propriamente dita. Nessa encruzilhada, a busca por novos
paradigmas no fazer artístico com a cor é sempre bem recebida.
O maior
desafio da cor é a obrigação estilística de atingir o máximo possível
das suas gradações em busca de uma forma de expressão que gere
inesgotáveis matizes. A cor não pode ser apenas uma matriz de variáveis,
mas uma linguagem infinita de geração de criações.
Um caminho
possível é que a cor em si mesma se torne o objeto da pintura. Assim não
será mais necessária a presença de um assunto, como mulheres ou a
natureza. O próprio trabalho plástico terá sua raiz nessa exploração
da cor como uma linguagem a multiplicar possibilidades que podem até
assustar em seu potencial de instaurar uma nova pintura, cada vez mais
indagadora, interrogadora e desafiadora.
Saulo Mota
apresenta inquietação em cada tela. A pesquisa constante e não-acomodação
perante soluções que parecem aparentemente dar o certo podem levá-lo
a uma nova esfera plástica, em que o desenho aprimorado e o império da
cor, com todo seu poder destruidor e construtor, permitirão uma visão
de mundo com um sentido cada vez mais renovado.
Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a
Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e
é autor, entre outros, de Contando a arte de Petivov (Noovha América)
e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus
(Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo). É responsável
pela página www.artcanal.com.br/oscardambrosio