por Oscar D'Ambrosio


 

 


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Sara Nach

 

            No umbral do portal

 

            “Para mim não há passado ou futuro na arte. Se uma obra não pode viver sempre no presente, ela não pode ser absolutamente considerada”. As palavras de Pablo Picasso fornecem uma pista para penetrar no mundo escultórico de Sara Nach, movido pelo impulso de criar.

            Suas imagens, seja de mulheres grávidas, da mítica Perséfone, de cavalos ou de guardiões e anjos, mantêm em comum um mesmo traço: a permanência nelas de um gesto visceral, ainda mais reforçado quando se observa o brusco corte em planos que oferece uma ruptura naquilo que se espera na composição das linhas.

            A escultura chamada Sonia, que integra uma série dedicada às mulheres, possui não só movimento, mas principalmente um dinamismo na composição que aponta para uma artista que encontra em cada técnica um local para aprendizado e experimentação, seja na modelagem, na cerâmica, no desenho ou no sumiê.

            A inquietação contemporânea da obra de Sara se cristaliza na maneira como as pernas da escultura apontam para o alto. Há um desejo sempre presente de elevação e de renovação constante. A melhor escultura será eternamente a próxima e a obra merecedora dos maiores elogios estará certamente no umbral do portal da própria consciência, pronta a ser retirada da argila, fundida em bronze e patinada.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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 Sonia
bronze com pátina 81 cm de altura sem data

Sara Nach

 

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