Sandra Lapage
O
poder da
pintura
Não existe
um
tema
melhor
que
outro
quando se
trata de
desenvolver uma
expressão
plástica. A
questão
central é
aprimorar a
forma de
olhar, de
pensar e de
fazer,
não importando
muito o
ponto de
partida,
mas
sim os procedimentos e
processos
que levam a uma
chegada
prazerosa.
As
imagens de Sandra Lapage
são o
resultado de uma
caminhada
que
começa
com
desenhos e
pinturas
em
papel
nos
cadernos
para
dar
um
salto,
em
termos de
tamanho e, de
técnica, na mescla da
pintura a
óleo
com
extrato de
nogueira. Consegue
assim
manter
aspectos essenciais de
sua
visão da
realidade,
como a
composição
arrojada.
O uso do
espaço
como
um
infinito
universo de possibilidades prontas a
gerar
um
impacto é o
seu diferencial. Seja nas
linhas
mais longas dos
troncos, nas
regiões
mais manchadas
ou nas
partes
em
que é
possível
recortar pedaços marcados por um pensamento abstrato,
que se basta sem a forma reconhecível, a pesquisa é a mesma.
A
discussão da
artista é
com a
melhor
maneira de
lidar
com
aquilo
que
vê e
com a
sua
capacidade de
levar essa
evocação
visual
para a
dimensão bidimensional da
tela.
Um
elemento
importante na
construção da
poética de Sandra,
que
também pratica a
xilogravura,
além da
pintura e do
desenho, é a
forma
como constrói
seus
troncos.
Há neles
grande
força
expressiva e
poder de
comunicação
com o
observador, acentuada
pela
maneira de
erguer
conjuntos
em
que o
movimento se faz
muito
presente, seja
pelo
ato de
lidar
com os
materiais
ou
pela
ousadia de
buscar
formas de
ocupar o
espaço
que a contentem
em
si mesmas.
Tal
processo gera
agradáveis
encontros de
linhas e
massas de
tinta,
caminhos de uma
jornada
por
aquilo
que a
pintura tem de
melhor e Sandra Lapage,
em
pleno
processo de amadurecimento, desvenda
bem: a
capacidade de
transformar o
mundo e de
dizer aos
outros
como uma
árvore na
tela
não é
mais
um
ser da
natureza,
mas o
fruto de uma
criação
plástica oriunda da construção de um
processo de conhecimento visual.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).