Rose Perussi
Luz
camaleônica
A
luz é
um
elemento
fundamental das
artes
visuais. A
forma
como se relaciona
com uma
obra
muda
decisivamente
sua
cor e interfere
diretamente na
observação. Essa
variável se
torna o
fator
primordial das
peças de Rose Perussi. A
incidência da
luminosidade altera o
seu trabalho
justamente
porque
sua
maior
preocupação
não é
tanto o
resultado
final,
mas
sim o
processo.
Ao
lidar
com
materiais
como
tela,
cobre,
estanho e
tintas, estabelece
entre
esses
elementos
um
pensamento
visual
que tem a
gravura
como
elemento
fundamental do
raciocínio. Ao se
valer do
buril
para
interferir no
metal, instaura
um
universo de
mistérios no
qual a
fascinação
não está numa
provável
impressão,
mas na
própria
placa gerada
pelo
labor.
O método de
criação é tão particular e surge de uma pesquisa tão pessoal que o
mestre Mario Gruber o chamou de Oribombo. O nome, que porta um efeito
sonoro que remete ao universo indígena, inclusive no sentido da
valorização da intuição do fazer, não pode ser visto como limitador, mas
como início de um desdobrar de possibilidades.
Ao partir do
desenho, planejar fragmentações, verificar como o metal pode ser
inserido em determinadas áreas e combinar esse trabalho com efeitos de
pintura que buscam valorizar o diálogo entre os elementos, a artista
oferece composições bem articuladas. Trata-se de uma fusão entre a
destreza do pensar e a prática do criar.
A
presença da
figura, seja de
mulheres,
peixes sugeridos
ou
vasos de
flores constitui
muito
mais do
que uma
pesquisa figurativa. Existe a
busca de
um referencial no
qual os
efeitos almejados
com as múltiplas
alternativas de
luminosidade atingem infinitas nuanças,
que
vão do delineamento
mais
evidente da
figura ao
seu
quase
desaparecimento
em
função das
placas de
metal
que se acendem
ou apagam de
acordo
com as angulações luminosas.
Rose Perussi
consegue na
sua
pesquisa
um
rigoroso
efeito camaleônico de transformações
sucessivas
em
função do
meio
ambiente. A
sua
pesquisa fascina
justamente
por
ser
um
processo de
evolução
constante
rumo aos
efeitos
que
melhor atingem os
objetivos
plásticos de uma investigadora
visual inquieta,
que
não se cansa de
experimentar e
criar.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).