por Oscar D'Ambrosio


 

 


Rosane Gauss

 

            A busca da luz

 

            A visualidade funciona quando o artista tem algo a dizer que brote de suas vísceras e do seu processo criativo, não quando surge de uma receita pronta. No caso de Rosane Gauss, sua poética vem sendo construída como uma pesquisa de diversas dimensões do espaço e da cor que se encontram com o progressivo avanço do trabalho.

            Oriunda de uma jornada que começou com o mergulho na paisagem e gradual caminhada pela abstração, suas obras mais recentes constituem uma conversa entre o preto e o branco, num denso estudo sobre a capacidade da luz vir à tona.

            As manchas que aparecem nos gestos da artista são marcadas por um raciocínio que tem como idéia central o respeito ao movimento e aos tempos da natureza e dos materiais plásticos que ela domina, especialmente a aquarela, onde encontra condições de desenvolver a busca de uma visualidade que coloque as iluminações em destaque.       

            A artista estimulou e educou o público a parar para ver sombras de árvores e galhos sobre placas colocadas sobre a grama ou em outras posições, filmou o movimento desses elementos e se debruçou sobre procedimentos visuais em que o assunto ficava em segundo plano perante a procura de um entendimento amplo da própria produção.

            Isso mostra como o abstrato de Rosane Gauss não se limita a um prosseguir por veredas trilhadas. Existe a necessidade de iniciar caminhadas por veredas mais corajosas – e nisso se fundamentam as andanças mais recentes pela iluminação de fundos negros por meio do branco ou de grisalhas.

Não se trata mais de valorizar o branco do papel. O que a artista busca em seu ateliê no interior do Estado em São Paulo, em Avaré, cidade onde também nasceu, é um processo próximo da pintura, mas com a rapidez que a aquarela proporciona. Há estudo de transparências e o desejo de dar às áreas iluminadas uma intensidade nada escandalosa, estabelecendo um universo de sutis processos de composição.

Após uma exploração dos tons mais quentes, como os vermelhos e carmins, e um fascínio pelas sugestões de atmosferas que alguns de seus trabalhos trazem, as obras vindouras tendem a perseguir o preto e seu fascínio, pois é no ato de dar luzes a esses fundos que as aquarelas, como se fossem um ser, ganham intensa vida. Nasce assim um jogo infinito em que o revelar a luz significa oferecer ao observador o que existe de mais profundo da alma de um artista: a capacidade de desafiar constantemente a si  mesmo.

 

             Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 

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  Série Preto e Vermelho
aquarela e colagem 80 x 60 cm 2005

Rosane Gauss

 

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