Romero Britto
A estética
da vida
“Durante
certo tempo, alguém pode ficar alegre consigo mesmo, mas, a longo
prazo, a alegria deve ser compartilhada por duas pessoas”. A frase do
dramaturgo norueguês Ibsen (1828-1906), na boca do personagem Borgheim,
no terceiro ato da peça O pequeno Eyolf, ilustra bem a
capacidade do pintor e escultor Romero Britto de espalhar alegria pelo
mundo, não só para duas pessoas, mas para o maior número possível
delas.
Num universo
desordenado, cada vez mais cinzento, em que a dor e o sofrimento de
viver está em cada esquina das grandes cidades, a estética de Romero
Britto surge como um descanso para os olhos e como um sopro de vida
para o coração. Suas cores vibrantes e justapostas, encaixadas como
mosaicos, e seu desenho solto, assim como áreas demarcadas com
espessos e bem definidos contornos negros, transmitem esperança.
A estética do artista
não é para ser dissecada como um drama de Ibsen, mas para ser
usufruída com prazer como uma borboleta em pleno vôo. Suas pinturas
são como um sol nascente. Proporcionam e multiplicam a alegria de
viver e buscam mantê-la eterna.
Cada quadro, nesse
contexto, é um pequeno, mas consistente passo rumo ao desejo de ver um
mundo melhor, marcado pelas cores vibrantes, pelos beijos em todos os
rostos e pela vida em paz e harmonia que o mundo contemporâneo, sisudo
e imerso em mil e uma dificuldades, tanto precisa.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pela Unesp, integra a Associação
Internacional de Críticos de Artes (AICA-Seção Brasil).