Alma
indígena
Os índios Kadiwéu em
suas diversas manifestações artísticas, assim como em outros aspectos
de sua cultura, como religião, mito e política, foram o tema escolhido
por Rodrigo Carvalho para seu trabalho de conclusão do curso de
Bacharelado em Artes Plásticas do Instituto de Artes (IA) da Unesp.
Ele se
debruçou sobre um mundo, hoje, de aproximadamente 600 índios, que
habitam quatro aldeias no município de Porto Murtinho, a 310 km de
Campo Grande, MT. Sua diferenciação plástica está nos desenhos
corporais e faciais, únicos na América Pré-Colombiana.
Carvalho produziu
trabalhos em cerâmica, xilogravura, desenho e pintura, sendo que, nos
desenhos com carvão, pastel e nanquim, atinge seu resultado mais
expressivo, caracterizado por um traço que consegue captar a força
desses índios e também a sua fragilidade perante o mundo dito
desenvolvido e civilizado.
As xilogravuras passam a
dualidade de um povo guerreiro e orgulhoso, mas massacrado pelas lutas
pela terra e pelo contato com o mundo branco. No tratamento da figura
humana, há uma expressividade que concilia altivez com dor,
construindo imagens que ultrapassam a temática indígena e atingem uma
esfera existencial.
Rodrigo Carvalho
articula, a partir de um universo plástico indígena diferenciado, a
sua visão estética da tribo. As esferas míticas e as dificuldades com
o trabalho e com a posse e o uso da terra surgem com expressividade,
em exercícios plásticos marcados por um estilo próprio, de traços
vigorosos e marcantes.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da
UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional
de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil