por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

Roberto Silva

 

A poesia do concretismo

 

A arte concreta costuma deixar os críticos especializados perplexos. Na impossibilidade de se discorrer sobre referenciais objetivos nas telas, há uma certa tendência para o desenvolvimento de raciocínios muito mais filosóficos do que artísticos ou a criação de um jargão praticamente incompreensível sobre as obras de pintores do calibre de Kandinsky e Mondrian, mestres em levar para as telas jogos formais e cromáticos de cair o queixo.

Esses dois artistas que, junto com Miró, reúnem a rara capacidade de surpreender o espectador em cada trabalho, são justamente duas importantes fontes de inspiração para a obra do artista plástico Roberto Silva, que desenvolve sua pintura na articulação de cores como amarelo, azul e vermelho em composições que alternam retângulos, esferas e suas inter-relações.

Nascido em São Paulo, SP, em 11 de setembro de 1956, Silva vive exclusivamente da sua arte desde 1986, vendendo trabalhos – que conjugam a espiritualidade de Kandinsky e a percepção de cores de Mondrian – para diversos Estados brasileiros e para colecionadores dos EUA, Itália, Inglaterra e Portugal.

Oriundo de uma família com um pai pintor e um irmão que fazia grandes esculturas de cimento, Silva, em 1978, integrava a Cooperarte, cooperativa que tinha como objetivo principal reunir artistas, como atores, diretores e autores para o teatro. Baterista e percussionista, participava como músico profissional – atividade que desenvolveu durante oito anos – criando composições musicais para as peças do grupo.

O contato com os artistas que cuidavam da montagem dos cenários das peças que eram produzidas na cooperativa levou Silva à Faculdade de Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado, onde permaneceu por três anos, tendo contato com diversas linguagens, como escultura, gravura, pintura, fotografia e desenho de animação.

Da intersecção de conceitos musicais como ritmo, harmonia e movimento com a arte concreta, surgem as imagens de Roberto Silva. Círculos e meio-círculos são colocados na tela em jogos plenos em equilíbrio harmônico. E pelo uso das cores que essas formas ganhem vida.

Embora a arte concreta ofereça um desafio aos seus intérpretes, ela é capaz de gerar fortes impressões, justamente pelo talento do artista no manejo do diálogo entre as tonalidades e as figuras geométricas. O que poderia ser rígido numa visão apressada, torna-se então delicado e sensível.

Na arte de Silva, a poesia se faz presente. O ritmo visual se conjuga a uma concepção musical da arte, em que a harmonia tem um papel preponderante. Suas composições trazem à tona criações plenas de sensibilidade, em que as forças da existência se enlaçam em um ritmo único. Ele gera, portanto, telas concretas que não tem referenciais no mundo visível, mas se sustentam artisticamente pela conversa informal entre formas aparentemente díspares que se combinam em admirável equilíbrio poético.

Oscar D’Ambrosio é jornalista, crítico de arte, autor de Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp) e responsável pela página www.artcanal.com.br/oscardambrosio

 

 

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"Sem Título"

O.S.T -  110 X 150 cm

Roberto Silva

 

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