Roberto Lima
O sacro e o
profano
É grande o
número de escultores nas cidades do Estado de Minas Gerais que passam
boa parte da vida retomando modelos da arte barroca, principalmente da
escultura. Embora alguns se revelem artesãos hábeis, poucos conseguem
desenvolver um trabalho artístico próprio e diferenciado.
Roberto Lima, discípulo do
escultor de santos Hélio Petrus, escapa do risco de cair na mesmice. Com
um talento inato para o desenho, imprime às suas esculturas um tom
pessoal, mas é no momento que desenvolve um trabalho sobre uma figura
muito popular em Ouro Preto, chamada de Sinhá ou Dona Olympia
(1889-1976).
Nessa obra, utiliza a sua
habilidade, na arte do entalhe, para representar uma figura popular que,
entre os anos 1950 e 1970, com cajado na mão, com saias extravagantes,
contava, para crianças e adultos histórias em que ela se incluía nas
narrativas, dizendo ser noiva de Dom Pedro II, amante de Chico Rei e
amiga de Tiradentes.
Uma das andarilhas mais
conhecidas do Brasil, ela conversou com Juscelino Kubitscheck e Vinícius
de Morais, deu nome à Escola de Samba Sinhá Olympia de Ouro Preto e foi
tema, no Rio de Janeiro, da Mangueira em 1990, sob o enredo “Deu a
louca no Barroco”.
Foi na empreitada de
talhar e de pintar esse trabalho, que a arte de Roberto Lima deu
indícios que pode percorrer novos caminhos. Cada vez mais próximo de seu
desenho e das manifestações populares locais, poderá colocar seu talento
a serviço de novos desafios plásticos, nos quais poderá expandir seus
horizontes artísticos e pessoais.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da
UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional
de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).