por Oscar D'Ambrosio


 

 


Roberto Covelli

 

            O universo do retrato

 

            Quando se pensa no retrato como gênero de pintura que consiste na reprodução fiel da figura de uma pessoa, salientando seus traços marcantes e seu caráter, é necessário recuar ao século XVII, com nomes como Van Dyck, Rembrandt e Frans Hals. Houve, no século XIX, um florescimento notável com a escola inglesa, principalmente Reynolds e Gainsborough.

            Retomar o retrato no século XXI é um desafio técnico e temático, pois há, em primeiro lugar, a necessidade de amplo conhecimento pictórico para se aventurar na área e, em segundo, o enfrentamento com o preconceito ainda vigente contra a arte que toma como referência o mundo real, ainda mais com o uso de uma linguagem plástica convencional, o óleo sobre tela.

            O paulista Roberto Covelli, nascido em 1961, em São Paulo, SP, após passar pela Escola Panamericana de Artes e pelos mestres Walter Levy, Waldemar da Costa e Gaetano Fraccaroli, vem dedicando sua carreira ao retrato. Isso o obriga a revisitar o passado e verificar como pode modernizar essa linguagem sem trair o princípio de mostrar uma pessoa como ela é, física e emocionalmente.

            Talvez o fiel da balança nesse jogo tenha sido dado pelo herói inglês Oliver Cromwell (1599-1658), que solicitou ao retratista Peter Lely: “Pinta-me como sou. Se omitires as cicatrizes e as rugas, não te pagarei um xelim”. Retratar uma pessoa exige esse talento de agradar o cliente, mas sem sacrificar a própria visão que se tem de um modelo.

            Covelli obtém os  seus melhores resultados quando utiliza a técnica no ato de mostrar as feições do rosto, mas dá maior liberdade e flexibilidade no tratamento de alguns elementos, como o cabelo, e, principalmente, os fundos. A maior fluidez na pincelada é diretamente proporcional a um resultado menos literal e mais próximo da atmosfera psicológica que cada ser humano sugere.

            A ousadia nas formas plásticas de trabalhar com o retrato propicia uma chance maior de encontrar soluções técnicas cada vez mais surpreendentes, de modo que cada novo quadro seja a concretização de uma linguagem em que o trabalho com camadas e velaturas constitua um dado técnico fundamental na composição da obra.

            Fazer retratos dentro de uma tradição figurativa e acadêmica é um exercício de resistência aos cânones da arte conceitual, mas pode ser uma empreitada bem-sucedida  se for acompanhada de esmero técnico e busca contínua de soluções que mostrem, ao contrário do que muitos pensam, que o gênero do retrato não está morto a partir da segunda metade do XIX, com a invenção da fotografia.

Nessa cruzada, Covelli conta com o seu talento e com a convicção de que necessita encontrar soluções visuais, principalmente em termos de construção plástica que atualizem o retrato para o século XXI, sem abrir mão da fidelidade ao retratado, mas com variações cromáticas e de composições que incorporem tradição e novidade, fidelidade ao real e climas psicológicos.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros, de Contando a arte de Petivov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo). É responsável pela página www.artcanal.com.br/oscardambrosio

 

 
 

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Retrato
óleo sobre tela
100 cm x 84 cm sem data

Roberto Covelli

 

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