por Oscar D'Ambrosio


 

 


Rita Bassan

 

            Espirais no mundo urbano

 

            A exposição Urbe, da artista plástica Rita Bassan, convida a uma breve reflexão sobre as possibilidades das formas para expressar algum tema, seja ele urbano, rural, fantástico ou numa linha abstrata em que a pintura se debruça sobre si mesma em pesquisas que prescindem da figuração.

            Se pensarmos que a obra de arte surge de um tripé entre um determinado material, um assunto específico e a forma como esses dois elementos são tratados, podemos refletir sobre cada trabalho como um universo em que são geradas indagações e buscadas respostas para o fazer de cada artista.

            Nesse aspecto, Rita Bassan encontrou, em seus personagens construídos com formas espiraladas na vertical, uma resposta própria para a representação da complexidade do ser humano. O desafio é a colocação desses seres em diferentes cenários, situações e momentos.

            Em Festa na avenida, por exemplo, ao trabalhar os espirais com a cor, opta por um fundo em que elementos se mesclam num jogo de serpentinas. O resultado é surpreendente pela empatia visual criada no observador. Há ali uma vibração pictórica que constrói uma atmosfera.

            Na série Infância na rua, em contrapartida, em que fundos de várias cores se mesclam e sobrepõem, o resultado, embora agradável, não se revela tão original ou cativante. A espontaneidade do primeiro trabalho parece ser um caminho possível a ser percorrido em busca de uma linguagem cada vez mais diferenciada.

            Outro percurso ocorre em telas como O porto. O geometrismo ganha a maior parte da tela e a figura humana se faz presente de maneira diminuta. Trata-se de um caminho dos mais interessantes, já presente no painel Sampa, de 2003, que rendeu a Rita o Prêmio Soft Travel Internacional de viagem a Nova Iorque.

            Formada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, a artista, nesta primeira exposição individual pode – e talvez até deva – trabalhar com as várias vertentes, que surgem como possibilidades de diversos novos trabalhos. Grande mérito é ter caminhos próprios, desafiador é saber qual escolher a cada novo passo na carreira.

            Cãoportado é um trabalho que, nas três figuras centrais, com destaque para a moça do centro que leva o cão pela coleira, aponta para uma alternativa das mais curiosas, pois as personagens ganham um cenário realista, que, talvez, no futuro, possa sair cada vez mais de cena.

            Seres diminutos em ambientes geométricos ou personagens em primeiro plano em cenários indefinidos parecem articular uma encruzilhada conceitual, pois levam às escolhas que já mencionamos: material, tema e forma de combinar esses dois elementos. Dentro do universo urbano (tema) e da tinta acrílica o técnicas mistas bidimensionais (material), fica variável da maneira de compor seus trabalhos.

            As trajetórias apontadas pela exposição Urbe são igualmente prolíficas. Seja no destaque ao cenário ou à figura, Rita Bassan pode firmar seu nome a partir desta primeira jornada. Para acertar os próximos passos, basta confiar na sua sensibilidade e capacidade técnica. Poderá assim sair das encruzilhadas que seu próprio trabalho sugere e motiva como ponto de partida para futuras reflexões e produções estéticas.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de Cláudio Tozzi (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).

 

 
 

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  Festa na avenida 
acrílica sobre tela 70 cm x 50 cm 2002 

Rita Bassan

 

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