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Retirantes, de Portinari 1) O homem das 5 mil obras
Pintada em 2) Formação acadêmica Filho de imigrantes italianos, Portinari nasceu numa fazenda de café, Santa Rosa, no interior de São Paulo. Segundo de uma família de doze filhos, cursou apenas o primário, mas, aos seis anos, começa a desenhar e, aos nove, participou durante meses dos trabalhos de restauração da igreja de Brodósqui, ajudando os pintores italianos que ali atuaram. Em 1918, viajou para São Paulo, para ingressar no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Depois, estudou desenho e pintura na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, sendo premiado em 1922. Seis anos depois, ganhou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro. 3) Europa e temas familiares Em 1929,
Portinari partiu para a Europa,
viajou pela Itália,
Inglaterra,
Espanha
e se fixou em Paris,
onde permaneceu até 1930.
Descobriu a arte moderna e conheceu Maria Martinelli, com quem mais
tarde se casou. Ao voltar ao Rio de Janeiro, passou a trabalhar num
ritmo intenso. Entre seus temas preferidos, seu único filho, João Cândido,
e, mais tarde, a partir de 4) Questões sociais Filiado ao Partido Comunista e candidato derrotado às eleições para deputado constituinte e para senador, Portinari, em quadros, como Retirantes, revela seu pensamento social. A obra mostra uma família de imigrantes nordestinos que deixa a sua terra em busca de trabalho. O marrom da terra, idêntico ao de sua infância passada em Brodósqui, e o azul do céu predominam. 5) Arte moderna O quadro é uma somatória das influências recebidas por Portinari ao longo de seu percurso. O tom marrom é o de Brodósqui, pertinho de Ribeirão Preto. Olhando para a terra da região, é possível perceber que ele pintava justamente aquilo que viu nos primeiros anos de vida. Desenvolveu, em sua trajetória plástica, o talento de levar as cores de sua cidade natal para as telas. O quadro, que pertence ao acervo do Museu de Arte de São Paulo, o MASP, mostra pessoas mal vestidas, tristes, sofridas. Condena assim um mal que ainda persiste na sociedade brasileira. 6) Muralismo Assim como fizeram os mexicanos, Portinari dramatiza o tema da obra. Os personagens são raquíticos e famintos. Estão descalços, com má aparência e sujos. Das cinco crianças, uma tem o corpo deformado e outra, barriga-d’água. Os dois homens têm a aparência de quem viveu a dureza do sertão nordestino. Os olhares são tristes e desesperançados. Ossos e músculos fracos e roupas rasgadas completam o tenebroso panorama. 7) Cubismo A idéia de fragmentação se faz muito presente na tela. O céu é mostrado em cinza escuro apesar de não ter nuvens. É uma atmosfera sem água ou luz. Urubus buscam alimento, seja gado ou pessoas. O chão mostra apenas ossos de animais e pedras. Ao lado de Menino morto, a obra é uma das mais tristes do artista. Muito influenciado pela visão de Picasso em temas como Guernica. 8) Surrealismo Portinari também trabalhou o sonho em algumas obras, não tanto como um assunto, mas pela criação de atmosferas. Nelas, usou bastante o branco, cor que contém grande quantidade de chumbo. Em janeiro de 1962, ele sofreu uma intoxicação desse material, o que já havia acontecido em 1954. Desta vez, não se recuperou. 9) Arte figurativa O artista conseguiu retratar questões sociais sem desagradar totalmente aos governos brasileiros, que sempre o consideraram a principal expressão nacional da pintura. Também se aproximou da arte moderna européia sem perder a admiração do grande público. 10) Fidelidade às tradições
Nesse aspecto, dialogou com diversos estilos, como cubismo,
surrealismo e muralismo mexicano, mas sem se afastar totalmente da
arte figurativa. O resultado é uma arte de características modernas,
fiel às tradições, mas identificada como uma das principais expressões
da arte brasileira no Brasil e no exterior, inclusive com painéis na
ONU,
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre
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