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Renan Cruz e Bruno Kurru: um visceral falar do mundo Renan Cruz e Bruno Kurru têm como afinidade maior o desenho. A necessidade de dar ao pensamento a forma de imagens origina uma conversa em que a técnica e o assunto se comunicam. O que se pensa encontra um instrumento adequado quando nasce sem artificialismo. Usar papéis, madeira, panos ou tecidos como suporte dessa expressão sincera não significa seguir caminhos idênticos. Em geral, Cruz é mais dionisíaco no sentido de ter uma grande produção alinhavada pelo gesto e pela busca de respostas a questões interiores que cada vez mais ganham a configuração de manchas de tinta com as quais dialoga. Kurru está mais para Apolo enquanto uma reflexão caracterizada por um fazer em que a elaboração, em boa parte baseada na colagem de distintos trabalhos em variadas criações, compõe um universo visual dos mais ricos, com numerosos espaços em branco em que o silêncio fala como local a estimular perguntas. Aquilo que aproxima os artistas também os afasta. Essa metáfora ganha aspectos concretos no título Chaves e Portas. As imagens geram questionamentos que cada um pode desenvolver como achar melhor na direção que julgar mais produtiva. É um exercício que encontra seu correspondente no olhar. Existem, perante cada desenho ou pintura, chaves interpretativas pessoais. Cruz e Kurru as discutem e as oferecem ao observador. Este, por sua vez, as relê e repensa, numa seqüência de leituras infinitas em que as portas da consciência vão progressivamente se abrindo. O temperamento das manchas guia os pincéis de Cruz e o uso de um azul celeste preenche as obras de Kurru de forma bem peculiar, no desenrolar de uma caminhada de enriquecimento técnico e de compreensão da arte como um andar que ganha cada vez mais sentido quando não se está sozinho, mas numa direção marcada pela seriedade com que se encara o próprio trabalho como um visceral falar sobre o mundo.
Oscar
D’Ambrosio,
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