Regina Y. Komatsu
Amor à aquarela
O filósofo norte-americano
Ralph Waldo Emerson (1803-1882), em seus Ensaios, afirmou
que “a natureza e os livros pertencem aos olhos que os vêem”.
A grande arte estaria justamente no saber olhar e ler
aquilo que se apresenta a cada um de nós, para, dali, retirar
elementos para futuros vôos.
Esse trabalho é desenvolvido em relação à natureza
pela aquarelista Regina Y. Komatsu, que, além de contar com um
vasto currículo de exposições e premiações, destaca-se pelo
seu amor à aquarela, estando envolvida na sua divulgação para
que ela não seja tratada como uma arte menor, denominação que
ainda é atribuída ao gênero por parte da crítica e do
mercado.
Pesquisadora incansável
de soluções técnicas, Regina impressiona pelo seu poder de
observar a natureza e dela retirar o que nos oferece de melhor,
ou seja, a capacidade de recriar plasticamente ambientes e situações
estéticas sempre renovadas, já que quando trabalha com um
ambiente terminado, como ocorreu em 2004, com o Parque Burle
Marx, apresenta ampla diversidade de resultados.
Mesmo quando trata
de ambientes urbanos, como nas obras em que homenageou os 450
anos da cidade de São Paulo, em 2004, Regina mantém a preocupação
de tornar o referente concreto um ponto de partida a ser
desvendado pela sua capacidade de olhar e recriar com a aquarela
o mundo.
Se a natureza faz a
parte dela ao criar cenários propícios à expressão plástica,
Regina entra com a sua técnica apurada e criatividade para
oferecer as suas próprias soluções. Estas, porém, não vêm
aos saltos, de maneira forçada. Pelo contrário, surgem de
forma equilibrada e harmoniosa.
Muitas vezes
caprichosa no jogo com as cores e as formas, a natureza,
justamente por ser um universo de infinitas possibilidades, é
um dos grandes campos de aprendizado de Regina. Ao trabalhar com
a luz e as nuanças de tonalidades, a artista oferece novas visões
da realidade, principalmente ao trabalhar com diversos verdes
articulados em combinações apuradas.
O mencionado Emerson
também apontou que “a Natureza é uma nuvem mutável, sempre
e nunca a mesma”. Analogamente, o trabalho de Regina Y.
Komatsu tem como marca a multiplicidade de visões. Não há
repetição, mas compromisso estético e a manutenção do
desafio de permanecer criando, sempre com a disposição de
aprender com a infinita capacidade da natureza e da aquarela de
recriarem a si mesmas nas mais variadas situações.
Oscar
D’Ambrosio, jornalista, é mestre em Artes Visuais pelo
Instituto de Artes (IA) da UNESP, campus de São Paulo e integra
a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção
Brasil). É autor, entre outros, de Contando a arte de
Peticov (Noovha América) e Os pincéis de Deus: vida e
obra do pintor naïf Waldomiro de Deus (Editora Unesp e
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo).