Razões de
encantamento de Chico Tupynambá
O
ato de se
encantar,
por
definição, envolve a
idéia de deslumbramento e
admiração. Trata-se de uma
sensação de
prazer
que se tem
como
reação
perante
algo
que se
vê
ou se percebe. É o
que ocorre na
exposição do
artista
plástico
paulistano Chico Tupynambá.
Autodidata, nascido
em 9 de
junho de 1962,
ele pintou
seu
primeiro
quadro a
óleo a
pedido de uma professora, aos 14
anos. Desenvolveu
assim
seu
estilo,
sempre
dentro de uma
linha de
raciocínio de
erros a
acertos,
tanto na
escolha do
material
como na
seleção de
temas.
Seu
processo de
criação
parte de
desenhos
em
programas de
computação.
Após uma
etapa de
seleção,
leva
suas experimentações
sobre
formas,
linhas e
combinação de
cores
para a
tela. Concretiza-se
assim uma
maneira de
pensar a
arte
que tem o
traço e a
cor
como
bases,
aliados a uma
posterior
dedicação ao
aprimoramento
técnico no
trabalho
com os pincéis.
É
possível
encontrar diversas
linhas
plásticas,
principalmente
associações
com o
cubismo,
com
influência de Picasso, e
trabalhos
mais
gráficos,
em
que Matisse é
importante
ponto de
referência. Ambas trazem
geralmente a
discussão da
questão dos
planos e da
relação
figura/fundo.
A
mulher é
um dos
temas enfocados na
exposição. Trata-se de
um
assunto
com
grande
importância no
conjunto
pictórico de Tupynambá,
ainda
mais
quando
ele as
cria
com
pinceladas largas e
grande
liberdade de
cores, demonstrando
sua
habilidade
em
lidar
com amplas
áreas de
espaço.
As
composições abstratas,
também
presentes na
mostra, demandam uma
progressiva
pesquisa
em
termos da
própria
técnica do
fazer
artístico. Trata-se de uma
investigação
em
que o
artista pode
caminhar
para a
libertação da
necessidade de
representar
imagens reconhecíveis e de referenciais
concretos.
A
jornada
plástica de Chico Tupynambá
avança
rumo à cristalização de uma
visão de
mundo a
partir de
um
conhecimento
cada
vez
maior da
prática do
lidar
com
telas, pincéis e
tintas.
Assim, a
racionalidade da
composição das
telas abstratas e a
emotividade das
mulheres, marcadas
por uma
prazerosa
sensualidade, têm
em
comum o
atento
trabalho
com
cores e
formas
que gera as
razões do
encantamento ao
qual o
título da
exposição
alude.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp,
campus de
São Paulo, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Artes (AICA –
Seção Brasil).