por Oscar D'Ambrosio


 

 


 

 

Raquel Gallena

 

            A alegria do detalhe

 

Muita alegria e amor ao detalhe. Essas são duas das principais características da artista plástica Raquel Gallena. Talvez tudo tenha início no primeiro dia de vida, pois ela veio ao mundo ouvindo o som de uma banda de música por ter sido a primeira criança a vir à luz na nova ala da maternidade em que ela nasceu em São Paulo, município que comemorava seu Quarto Centenário, em 1954.

De família árabe, Raquel passou a infância em Santos, SP, e depois se mudou para o Embu, onde viveu casada com o também pintor Fernando Madalena. Educada para ser excelente dona de casa e muito prendada, logo passou do crochê e das rendas para pequenas telas.

As primeiras que fez e deixou para secar junto a uma gaiola de pássaros foram compradas, ainda molhadas, por um consultor de empresas alemão que passava pelo Embu. Em seguida, vieram encomendas para presentear os convidados do casamento da filha e, sucessivamente, a oportunidade de realizar novos trabalhos e exposições, tendo sida a primeira coletiva em 1979.

A pintura da artista tem uma forte feição lúdica, presente até no próprio sobrenome profissional que utiliza, proveniente de uma fusão do seu de solteira, Galli, com o do ex-marido. Esse tipo de brincadeira surge muito no trabalho da pintora, principalmente pela fusão do sol e da lua, numa imagem muitas vezes ambígua que dá grande lirismo e poeticidade aos seus trabalhos.

A quantidade de elementos impressiona pela paciência no feitio, certamente aprendida nos trabalhos de costura. A tela é praticamente toda preenchida e mesmo os céus surgem com numerosas estrelas a pontuar o espaço. As nuvens, às vezes funcionando como caramanchões, podem ter ainda casinhas e igrejas, idéias que surgiram das conversas com o filho primogênito, Michelangelo, quando ele ainda era criança e perguntava quem morava nelas.

Casinhas azuis e rosas e igrejas de outras cores, para não gerar brigas entre meninos e meninas que lá morariam, aparecem no espaço, assim como muitas flores e lagos. Existe toda uma harmonia pela valorização do detalhe e da imaginação. Arco-íris cruzam a tela e diversos tipos de vegetação vão emendando uma na outra, obrigando cada um de nós a exercitar e desenvolver a paciência para observar atentamente cada detalhe.

A extrema dedicação a cada pormenor torna a pintura de Raquel um grande fascínio, pois o convite para perceber o que está na tela transforma cada trabalho num prazeroso desafio, onde é preciso entender como cada pincelada ou ponto contribui para estabelecer a harmonia do quadro enquanto conjunto final.

É no uso da cor verde, uma de suas preferidas, que a artista consegue boa parte de seus resultados plásticos mais expressivos. Isso ocorre não somente na construção plástica das vegetações, mas também pelo surgimento da cor em locais inesperados como no céu ou mesmo nas molduras, que muitas vezes também são pintadas expandido as dimensões visuais do quadro.

Raquel Gallena oferece em cada obra a possibilidade de vislumbrar um novo mundo, repleto de cores, alegria e imaginação, com luas que dialogam com sóis e numerosas cenas em que cada elemento contribui decisivamente para a composição de um todo marcado pela intensidade cromática.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

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 Arco-íris com girassóis
35 x 25 cm acrílica sobre tela sem data

Raquel Gallena

 

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