Ramon Martins
Um
multicultural ilimitado
Se há
um
prefixo
que define
bem a
obra
plástica de Ramon Martins é “multi”.
Sua
diversidade está nas
origens,
referências,
resultados e numa
forma de
enxergar o
mundo
que está
além das
fronteiras limitadoras
que criam
barreiras
intransponíveis
para
muitos.
Nascido em
São Paulo, em 5 de janeiro de 1981, mas criado em Minas Gerais, o
artista, que hoje reside em Brasília, consegue ser amplo até na
maneira como mescla aspectos do barroquismo mineiro no que diz
respeito à soma de elementos e a influência absolutamente
contemporânea do grafite.
Analogamente, utiliza o
spray
com reconhecida
competência,
mas
isso
não o impede de
também
navegar
pela
têmpera,
pela
tinta
acrílica e
pela
aquarela,
técnicas nas
quais revela uma
delicadeza e
mesmo
um
lirismo
pleno,
nem
sempre comportado,
com
pitadas de
sensualidade e
um diferenciado
senso de
composição.
Bacharel
em
Artes
Plásticas na
Escola Guignard de
Belo
Horizonte e
com
experiência na
arte de
rua e
em
atividades de
inclusão
ligadas a
jovens
grafiteiros – o
Projeto Guernica –
que o levaram a
viajar
para
países
como França e Bélgica,
sua
arte utiliza
diferentes
linguagens
para
obter
um
resultado de
impacto.
Há
ainda
um marcado
diálogo
com o
Oriente,
mas essas
imagens passam
por
um
intenso
filtro,
não se mostrando
nunca acomodadas,
mas repletas de
ironia e
irreverência
em
relação à
sociedade. Existe
sempre a
demonstração de
um
espírito inquieto,
mais
visível nas
criações
em
que os
movimentos
circulares predominam.
A presença
de elementos de culturas como a afro ou a indiana colabora para
compor um painel globalizado em que os trabalhos se interligam
justamente pela diversidade de pontos de partida em direção a uma
realidade bem própria da primeira década deste século, na qual buscar
ou estabelecer rótulos significa fracassar.
Mesmo
em
trabalhos de
menores
dimensões,
mais intimistas,
onde os
retratos figurativos se fazem
mais
presentes, Ramon Martins mantém
seu
caráter multicultural,
pela
riqueza de
referências, e ilimitado,
por
ter
como
princípio
não se
negar a
somar
experiências, venham
elas da
universidade
ou da
rua, da
convivência
plástica
ou da existencial.
A
prática resulta numa
obra
significativa
pelo
conteúdo visceral
que apresenta e
pela
forma tecnicamente diferenciada, em
termos de qualidade, como é
feita, num
exercício de aperfeiçoamento e de
construção de uma
linguagem
particular –
ora
mais
delicada,
ora
mais
crítica –,
mas,
antes de
tudo,
sincera
enquanto
expressão
plástica.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UNESP,
integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).