Projeto Daqui, dali e de
outros
mundos, a
poética de MJ Hesseborn
O
grande
questionamento de
todo
artista está
em
encontrar a
própria
linguagem.
Isso significa
desenvolver uma
pesquisa da
forma
mais aprofundada
possível, dando
vazão a uma
maneira de
expressar o
mundo
que se integre
enquanto
processo de
construção
visual.
A pintora
portuguesa radicada no Brasil Maria João (MJ) Hesseborn possui
sua
maior
qualidade na
recuperação de
algo
que
já a acompanha
desde a
adolescência, a
criação de
imagens de
monstros
ou
bonecos, na
verdade
garatujas marcadas
pelo arredondamento das
formas e
pela
liberdade no
trato
com a
matéria
pictórica.
O
conceito desta
exposição é
mostrar a
interpretação
visual
que Maria João Hesseborn faz dos
diversos
mundos
em
que viveu. A
sua
experiência vivencial a fez
passar
por Portugal (Coimbra,
Funchal –
Madeira, Viseu,
Porto,
Espinho e
Figueira da
Foz),
Angola (Luanda), Suécia (Saffle e
Karlstad), Finlândia (Helsinque), EUA (Charlotte, Carolina do
Norte) e Brasil (São
Paulo,
Vitória,
Porto
Seguro e
Porto
Alegre).
Por
isso, a
mostra terá
cinco
módulos: Portugal, África,
Países
Nórdicos, EUA e Brasil.
Para
cada
um deles será
desenvolvida uma
linguagem
plástica,
sempre tendo
em
vista a
capacidade da
artista de
lidar
com as
transparências e sobreposições, colocando
geralmente
nos
quadros
elementos figurativos,
oriundos da
necessidade de
que a
pintura
não seja
apenas
um
exercício
formal,
mas
um
pacto
com
si
mesma
em
termos da
forma de
trabalhar
com o
pincel
ou a
espátula.
As
obra de MJ Hesseborn
são autênticas
por surgirem de
um
processo visceral de
composição. Atendem a
um
apelo
interior
que está
acima do
pensamento
racional de uma
série previamente concebida.
São
fruto de uma
concepção
artística
que tem na
expressão
interna
sem depuração o
segredo de
sua
verdade
ancestral e vivencial.
MJ Hesseborn produz e
pensa o
próprio
trabalho
com
um
intenso
movimento
interior.
Isso faz
com
que as
imagens
que
chama de “chifres”
e “trilhas” sejam autênticas
jornadas viscerais
em
termos de
composição
visual e de
realização.
Em róseos
quentes e lilases, surge
intensa expressividade.
A
cor tem
um
papel
primordial na
construção de
seu
trabalho. As
obras respondem a
um
apelo
interior no
qual a
pintura
não é
apenas
um
exercício
formal,
mas uma
recriação de
elementos figurativos marcados
geralmente
pela
liberdade e
pelo
bom
humor.
Mesmo as
garatujas,
quando
presentes, evocam a
recuperação da
criação de
imagens de
monstros
ou de
bonecos na
adolescência,
dentro do
princípio do
uso do arredondamento das
formas e da
liberdade
visual no
trato
com a
matéria
pictórica. Ocorre
assim a
presença de uma
narrativa,
um
diálogo
com
algum
referente
concreto.
A
linguagem da
artista percorre o
caminho de
um
progressivo
desenvolvimento da
própria
linguagem
rumo a uma
maneira de
expressar o
mundo
que se integra
enquanto
processo de
construção
visual, mostrado
em
seus
trabalhos
um
modo de
conhecer,
sentir e
reconstruir a
realidade.
Oscar
D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).