Arte primitiva hoje
O mundo das imagens do homem primitivo
ocorre pelo contato direto com os fenômenos naturais. Ainda hoje,
os descendentes desses povos apresentam uma visão mágico-religiosa
da natureza, mais intuitiva do que intelectual, caracterizada pelo
animismo ligado a fetiches e totens, criando um mundo plástico
bem articulado.
A decoração
ornamental, geralmente com intenção simbólica, depende do
material e da técnica utilizada. Armas e objetos do cotidiano são
adornados com motivos de significação totêmica. Mesmo as formas
mais simples de ornamentação (espirais, círculos, linhas
onduladas) são comumente signos que conjuram forças protetoras
da natureza e impedem a ação dos espíritos do mal que
aterrorizavam constantemente o homem primitivo.
Na África, as tribos
bambara e dogon, do ex-Sudão francês, realizam esculturas com
decoração de caráter geométrico. Uma das principais regiões
artísticas é a Costa do Marfim, onde as tribos dan, guro, senofo
e, principalmente, baude, demonstram grande habilidade e desejo de
expressar emoções pelo caráter puramente estético e pela sua
finalidade mágica.
Uma das culturas
africanas mais interessantes é a dos benin, na Nigéria, destruída
pelos ingleses em uma expedição punitiva em 1897. Os invasores
encontraram mais de 2500 obras delicadas, realizadas em marfim e
bronze. A cultura benin se caracteriza por sua elegante estilização
de figuras de animais e de pessoas. As cabeças humanas são
geralmente realizadas com ótimo resultado.
Na Austrália, os aborígenes,
hoje vivendo em reservas situadas nas regiões mais pobres,
continuam vivendo na Idade da Pedra em termos culturais. Suas
pinturas rupestres são o ponto mais alto. Não realizam
esculturas, mas há ornamentos geométricos e zoomórficos
pintados ou gravados em armas e escudos.
Na Melanésia, existe
uma ornamentação de caráter simbólico e religioso. Predomina o
estilo curvo e as linhas de ondulação suave. As casas comunais
de Borneo e Sumatra merecem destaque pelos tetos pontiagudos
característicos. Na Nova Zelândia, a cultura maori apresenta
espirais e volutas. Sua principal obra é o sarcófago de
Waata-Rani, atualmente no Museu do Homem, em Paris.
Na Polinésia, a arte
possui um caráter mais aristocrático. Sua função mágica e
demoníaca não é tão importante, propiciando uma decoração
mais elegante e graciosa, executada com surpreendente precisão e
habilidade manual. As extraordinárias estátuas colossais da Ilha
de Páscoa são um enigma até hoje, tendo sido realizadas na
mesma época de pequenas estátuas de madeira de refinada e
rebuscada estilização.
Na Europa, os lapões,
povo nômade, assemelha-se muito às tribos da Ásia setentrional
e as suas imagens recordam as pinturas paleolíticas encandinavas;
enquanto, na América do Norte, os esquimós, carentes de
material, realizam trabalhos de alta precisão em osso,
principalmente armas e pequenas estátuas.
Nos EUA, os índios da Califórnia se
destacam pela arte de cestos de grande variedade técnica e
decorativa. Quanto aos povos indígenas das pradarias, foram
praticamente exterminados pela luta desigual contra os
aventureiros brancos, restando apenas a decoração geométrica de
suas roupas.