A
arte e as
pessoas
especiais
Esta
exposição,
com
apoio da
pela
Associação ARPA – Apreciação,
Reflexão e
Produção
Artística,
Organização
Não
Governamental (ONG) voltada
para a
promoção do
ensino de
arte
para
crianças
com
inclinação
artística, a
defesa e
preservação do
meio
ambiente e a valorização do
profissional de
arte, inclui
trabalhos
desenvolvidos a
partir de
aulas
coordenadas
pelo
artista
plástico Rubens Matuck e o
educador Paulo Pitombo
com
alunos especiais, integrados
com
aqueles considerados
normais, numa
postura
que
leva a
refletir
como a
arte e aquelas
pessoas
vistas
como “diferentes”
podem
ser
perfeitamente
associados,
como ocorre nesta
mostra,
que
junta
trabalhos de
mestres e
alunos.
O
fato é
que
tudo
aquilo
que foge do considerado “normal”
enfrenta
algum
tipo de
preconceito. Acaba
por
ser marginalizado, isolado, ignorado e esquecido,
como se
simplesmente
não existisse. Nesse
aspecto,
qualquer
tipo de
deficiência,
como
visual
ou motora, sofre
algum
tipo de
intolerância
pela
dificuldade de
lidar
com
aquilo
que
não é
comum..
A
arte do
ver
já é uma
questão
complexa
para as
pessoas consideradas
normais. A
maneira de
observar o
mundo de
cada
um
já
comporta
todo
um
entendimento da
realidade circundante e o
desenvolvimento de
um
conhecimento
específico,
que se
fundamenta na
questão do
selecionar.
Nesse
aspecto, uma
aula de modelo-vivo,
por
exemplo,
não
demanda necessariamente
que a
figura seja mostrada,
mas
um
entendimento do
espaço e das
relações da
modelo
com o
seu entorno,
como
chão, os
fundos e as
pessoas
que
também participam da
sessão.
Toda
manifestação
artística é uma
prática da
construção de
um
olhar e, no
caso dos
alunos
especiais,
isso ocorre de
maneira
ainda
mais
completa e
complexa,
pois o
trabalho
sobre uma
deficiência
demanda
um
exercício
constante de
reconstrução de
si
mesmo e do
próprio
ato do
desenho.
É interessante
observar
que, no
século XIX,
com a
ascensão do
espírito romântico, valorizador da
liberdade e da
emoção,
que a
sociedade passou a
ter uma
maior
compreensão
com a
arte “diferente”, no
sentido de
expressão de
mundos
individuais.
Assim,
pessoas
não
convencionais começaram,
quando se expressavam artisticamente, a
ser
melhor aceitas.
Isso as
liberta
um
pouco do
estigma da
diferença,
mas mantém os
artistas
especiais num
mundo
ainda de
certa
forma
obscuro
dentro da
arte tradicional.
Os
criadores
especiais
são
infelizmente muitas
vezes
vistos
apenas
como
resultado de uma
jornada de
esforço e
com
curiosidade,
não pelas
suas
qualidades
plásticas intrínsecas. Encarada de
frente, essa
questão é
essencial
para
que,
pela
arte, a
exclusão se torne
inclusão; e o
diferente,
especial.
Oscar D’Ambrosio,
jornalista e
mestre
em
Artes
Visuais
pelo
Instituto de
Artes da Unesp, integra a
Associação
Internacional de
Críticos de
Arte (AICA-
Seção Brasil).