por Oscar D'Ambrosio


 

 


   A arte e as pessoas especiais

 

            Esta exposição, com apoio da pela Associação ARPA – Apreciação, Reflexão e Produção ArtísticaOrganização Não Governamental (ONG) voltada para a promoção do ensino de arte para crianças com inclinação artística, a defesa e preservação do meio ambiente e a valorização do profissional de arte, inclui trabalhos desenvolvidos a partir de aulas coordenadas pelo artista plástico Rubens Matuck e o educador Paulo Pitombo com alunos especiais, integrados com aqueles considerados normais, numa postura que leva a refletir como a arte e aquelas pessoas vistas comodiferentes” podem ser perfeitamente associados, como ocorre nesta mostra, que junta trabalhos de mestres e alunos.

 O fato é que tudo aquilo que foge do considerado “normal” enfrenta algum tipo de preconceito. Acaba por ser marginalizado, isolado, ignorado e esquecido, como se simplesmente não existisse. Nesse aspecto, qualquer tipo de deficiência, como visual ou motora, sofre algum tipo de intolerância pela dificuldade de lidar com aquilo que não é comum..

            A arte do ver é uma questão complexa para as pessoas consideradas normais. A maneira de observar o mundo de cada um comporta todo um entendimento da realidade circundante e o desenvolvimento de um conhecimento específico, que se fundamenta na questão do selecionar.

Nesse aspecto, uma aula de modelo-vivo, por exemplo, não demanda necessariamente que a figura seja mostrada, mas um entendimento do espaço e das relações da modelo com o seu entorno, como chão, os fundos e as pessoas que também participam da sessão.

Toda manifestação artística é uma prática da construção de um olhar e, no caso dos alunos especiais, isso ocorre de maneira ainda mais completa e complexa, pois o trabalho sobre uma deficiência demanda um exercício constante de reconstrução de si mesmo e do próprio ato do desenho.

É interessante observar que, no século XIX, com a ascensão do espírito romântico, valorizador da liberdade e da emoção, que a sociedade passou a ter uma maior compreensão com a artediferente”, no sentido de expressão de mundos individuais.

            Assim, pessoas não convencionais começaram, quando se expressavam artisticamente, a ser melhor aceitas. Isso as liberta um pouco do estigma da diferença, mas mantém os artistas especiais num mundo ainda de certa forma obscuro dentro da arte tradicional.

            Os criadores especiais são infelizmente muitas vezes vistos apenas como resultado de uma jornada de esforço e com curiosidade, não pelas suas qualidades plásticas intrínsecas. Encarada de frente, essa questão é essencial para que, pela arte, a exclusão se torne inclusão; e o diferente, especial.

 

Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção Brasil).

 

 

 



 

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